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“A qualidade é, no fundo, o grande prejuízo que temos, porque sabemos que a cortiça do Algarve é a que tem maior qualidade”, disse à agência Lusa a empresária do setor de transformação de cortiça.

“Vamos ter de comprar praticamente tudo fora do Algarve”, afirmou, referindo que a sua empresa transforma cerca de 1.500 toneladas de cortiça anualmente, metade das quais já eram compradas no Alentejo.

Sandra Correia admite a necessidade de ter de recorrer também a cortiça espanhola.

Os incêndios ocorreram no final da época da tiradia [extração de cortiça], que ocorre entre maio e junho, o que permitiu salvaguardar a cortiça deste ano.

“Temos cortiça para trabalhar”, afirmou a empresária de S. Brás de Alportel, prevendo que, dada a escassez daquela matéria-prima nos próximos anos, os preços vão aumentar.

Por outro lado, Sandra Correia disse acreditar que a natureza se vai refazer e poderá colocar fim à doença que afetava muitas árvores e danificava parte da cortiça por elas produzida.

“Devemos replantar durante o próximo ano, para não deixar como ficou”, disse Sandra Correia, sublinhando que os sobreiros que forem agora plantados só terão cortiça pronta a ser retirada dentro de 20 a 30 anos.

“Não é já para nós, mas sim para o futuro do Algarve e do país e para as novas indústrias que aí vêm”, acrescentou.

Segundo a empresária, estão a ser feitas avaliações de prejuízos e tentar-se perceber quais as árvores que ainda podem ser recuperadas.

Lusa

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