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A Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA) qualificou hoje como um “pesadelo” a situação causada pela pandemia de Covid-19 e pediu ao Governo urgência, prazos mais alargados e ajustes nas medidas anunciadas para apoiar a economia.

Considerando que as medidas de apoio à atividade económica já aprovadas pelo Governo português “vão no sentido correto e respondem às necessidades das empresas”, a AHETA advertiu que os hotéis e empreendimentos turísticos do Algarve estão “confrontados com uma crise sem precedentes” e “cujo fim não é previsível”, e apelou ao executivo central para que “as medidas aprovadas sejam urgentemente implementadas”.

Só com a implementação urgente das medidas económicas anunciadas pelo Governo as empresas poderão “esbater as enormes fragilidades económicas e financeiras que atravessam” devido às consequências que o isolamento recomendado pelas autoridades de saúde e os conselhos para não viajar estão a causar no setor, considerou a principal associação hoteleira do Algarve, em comunicado.

Por isso, a AHETA pede ao Governo que, “sem prejuízo de outras medidas que se venham a revelar imprescindíveis no curto/médio prazo”, a “suspensão do pagamento de contribuições e impostos” seja “entendida por um período de seis meses” e que as “contribuições sociais, taxas e impostos” sejam “abolidas durante seis meses”.

A “suspensão do pagamento das despesas de água, luz e gás durante um período de seis meses”, a “aprovação/implementação de imediato”, pelo Governo e o sistema financeiro, de “uma moratória suspendendo a obrigatoriedade das empresas amortizarem dívidas e respetivos juros nos próximos seis meses” são também medidas que, segundo a AHETA, devem ser implementadas.

“Abolir a condicionante de 20% para acesso à linha de crédito de 900 milhões de euros, na medida em que, pelo menos no caso do Algarve, os dois primeiros meses do ano tiveram comportamentos melhores do que em 2019”, é outra das propostas da associação empresarial algarvia, que apela também para um “aumento para valores mais elevados” dos montantes anunciados para a linha de crédito que vai ser criada pelo Governo para apoiar as empresas.

A AHETA considera também que estes créditos devem ter duração de “médio prazo (6 anos)”, que a taxa de juro “não deve exceder os 1% e ter uma carência de dois anos” e que os “trabalhadores forçados a faltar para assistir familiares devem beneficiar de baixa médica, conforme estipulado no Código do Trabalho, isentando as empresas de encargos salariais de trabalhadores que não exercem qualquer atividade”.

A associação quer ainda que seja abolida “a exigência da queda abrupta e acentuada de 40% da faturação homóloga das empresas nos últimos dois meses para efeitos de declaração de situação de crise empresarial, possibilitando às empresas o encerramento temporário”.

“O ‘lay-off’ simplificado deve ser clarificado, ser mais flexível e menos penalizador para as empresas, atendendo ao elevado número de estabelecimentos encerrados temporariamente, tendo em vista evitar o recurso à figura da extinção dos postos de trabalho”, propôs igualmente a associação hoteleira.

A AHETA advertiu que os hotéis e empreendimentos turísticos da região “vêm enfrentando uma redução drástica na sua atividade” e “nas suas receitas desde o final do mês de outubro”, deixando as unidades “descapitalizadas e fragilizadas por vários meses de gestão deficitária” e sem “condições financeiras” para parar a atividade e, “simultaneamente, satisfazer os encargos com o pessoal e outros compromissos financeiros e fiscais”.

“O período que atravessamos constitui um verdadeiro pesadelo para os empresários hoteleiros e turísticos do Algarve, o que torna ainda mais urgente a aprovação destas e outras medidas, sem as quais o setor corre o risco de afundar rapidamente, provocando efeitos nefastos, incalculáveis e imprevisíveis na economia regional e nacional”, considerou a AHETA.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da Covid-19, infetou mais de 220 mil pessoas em todo o mundo, das quais mais de 9.000 morreram.

Das pessoas infetadas, mais de 85.500 recuperaram da doença.

Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde (DGS) elevou hoje o número de casos confirmados de infeção para 785, mais 143 do que na quarta-feira. O número de mortos no país subiu para três.

Dos casos confirmados, 696 estão a recuperar em casa e 89 estão internados, 20 dos quais em Unidades de Cuidados Intensivos (UCI).

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