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“Mesmo em situações de tribulação como esta, de «travessia no deserto», temos a garantia da presença de Deus na nossa vida”. Esta foi a principal mensagem do bispo do Algarve na celebração da eucaristia a que presidiu hoje no oratório da casa episcopal, em Faro, após a decisão da Conferência Episcopal Portuguesa de suspender as eucaristias comunitárias para ajudar a travar a propagação da pandemia do coronavírus (Covid-19).

Na celebração, transmitida na internet pelo jornal Folha do Domingo, através da rede social Facebook, D. Manuel Quintas exortou ao cumprimento das orientações das autoridades. “Devemos levar a sério todas as indicações que nos são dadas, seja da parte das autoridades competentes do Governo ligadas à saúde, seja também da parte da Conferência Episcopal”, afirmou, lembrando que “não são propostas facultativas”, nem “opcionais”. “São orientações que devem ser tomadas como uma decisão para cada um de nós e devemos empenhar-nos em corresponder a quanto nos é pedido a esse respeito”, apelou.

“Interroguemo-nos se estamos a fazer aquilo que devemos, aquilo que nos é pedido para que protegendo-nos, protejamos também os outros”, pediu ainda.

Mas a homilia do bispo diocesano centrou-se na esperança. “Vivemos um momento em que nos faz bem meditar na esperança. De que esperança é que se trata? Uma esperança que não é falaciosa, que não engana, uma esperança que conduz à fonte da verdadeira felicidade, uma esperança que se apoia na caridade divina, no amor manifestado por Cristo e derramado nos nossos corações”, sustentou.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

D. Manuel Quintas referiu-se à fragilidade, constatando que ela carateriza a condição humana. “Vivemos numa sociedade que classificamos como evoluída, e de facto, são notáveis os progressos científicos a todos os níveis que caracterizam a sociedade em que vivemos, nomeadamente neste continente europeu. Mas ao mesmo tempo sentimo-nos frágeis. Basta uma situação como esta para nos sentirmos a andar um pouco à deriva porque não temos resposta para os problemas como este que nos afligem”, constatou.

No entanto, o bispo diocesano defendeu que essa fragilidade não deve levar a população a sentir-se “como povo sem rumo”, mas a um “estímulo” em abrir a sua vida e o seu coração à “ação de Deus”. “Demos espaço na nossa vida pessoal familiar, na sociedade de hoje à presença de Cristo. N’Ele encontraremos a força de que precisamos para ultrapassar as fragilidades humanas, pelo menos interiores e a contribuirmos exteriormente, de maneira consciente e decidida, através do nosso comportamento para minorar aquilo que hoje classificamos como uma pandemia”, acrescentou.

D. Manuel Quintas lembrou que “a fonte primeira que brota do seu coração aberto de Cristo é a eucaristia” à qual as pessoas não terão acesso enquanto durar esta orientação de não haver missas públicas, mas lembrou que outra “fonte” é a palavra de Deus. “Daí mais espaço na vossa vida à palavra de Deus. Encontrai nela a força que precisares para este momento que atravessamos”, desafiou.

Dirigindo-se concretamente às famílias, pediu que agora possam aproveitar do tempo que antes não tinham. “É importante aproveitar deste momento para saborear a presença familiar, para manifestar com gestos de afeto, sendo criativos, particularmente junto dos filho ou daqueles que são mais vulneráveis como as pessoas idosas”, afirmou, garantindo “da parte da Diocese, seja do bispo, seja de cada pároco”, o acompanhamento necessário.

D. Manuel Quintas exortou a que todos possam “viver esta semana com serenidade, mas também com a responsabilidade de quem é chamado a dar o seu contributo”, correspondendo a tudo aquilo que lhe é pedido. “É desse modo que, juntos, podemos progredir na luta contra este vírus”, concluiu, pedindo também o “apoio, proteção e amparo” de Nossa Senhora.

O bispo do Algarve manifestou-se ainda a união, de maneira particular, aos doentes já confirmados, “a todos os que esperam o resultado de análises, a todos os que se encontram em quarentena e todas as suas famílias”. “Naturalmente queremos também ter presente todos os profissionais de saúde a quem todos manifestamos o nosso reconhecimento pelo seu serviço, abnegação, pela sua disposição em lutar contra este vírus. Aplaudindo-os, queremos sobretudo dizer-lhes que nos sentimos corresponsáveis nesta luta e que aquilo que eles mais esperam de nós, certamente, para além das palmas, é o compromisso a não lhe darmos trabalho”.

D. Manuel Quintas manifestou-se ainda unido aos catecúmenos eleitos para serem batizados que estão a fazer o seu percurso em ordem à celebração dos sacramentos de iniciação cristã. “Gostava de me dirigir a eles dizendo-lhes que não se sintam sozinhos ou esquecidos pela nossa Igreja diocesana ou pelas suas comunidades paroquiais. Fazem parte da nossa oração e, sobretudo, do nosso apoio nesta última etapa do seu percurso rumo a serem neófitos”, completou.

A transmissão da missa dominical presidida pelo bispo do Algarve irá manter-se enquanto permanecer a suspensão das celebrações comunitárias.

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