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O Festival F, que devia realizar-se em Faro, em setembro, vai ser assinalado este ano em moldes ainda por definir, numa versão que será adaptada à “realidade atual”, anunciou hoje a Câmara de Faro, responsável pela organização do evento.

Em comunicado, a autarquia refere que se recusa a “baixar os braços”, prometendo “adaptar o evento à realidade atual e assinalar o ano de 2020 como também um ano de Festival F”, mas “sempre em rigoroso cumprimento” das normas sanitárias.

“Assim que possível comunicaremos os moldes em que estas ações irão decorrer”, indica o município, manifestando “profunda tristeza” pela proposta de lei que prevê a proibição de festivais em Portugal até 30 de setembro, embora “respeite as razões” que fundamentam a decisão.

O festival, que se realiza desde 2014 na vila adentro da capital algarvia, tem como marca a aposta exclusiva em bandas e artistas de língua portuguesa, tendo no ano passado sido cabeças de cartaz nomes como Ornatos Violeta, António Zambujo ou David Carreira.

“Num momento em que a música portuguesa vive um momento tão singular e dramático sentimos que, mais do que nunca antes, é importante mantermos o Festival F como um irredutível aliado da música portuguesa”, lê-se no comunicado.

A realização de festivais e espetáculos de natureza análoga foi proibida em Portugal até 30 de setembro, devido à pandemia de covid-19, como anunciou na quinta-feira o Governo, após reunião do Conselho de Ministros.

Horas depois da divulgação da redação inicial do comunicado do Conselho de Ministros, que se referia apenas a festivais de música, foi divulgada uma nova versão referindo-se à proibição da realização de “festivais” e não apenas “festivais de música”.

A decisão, que será ainda submetida à apreciação da Assembleia da República, inclui-se nas “medidas excecionais e temporárias de resposta à pandemia da doença COVID-19 no âmbito cultural e artístico”.

Ainda antes da decisão do Governo, já o Rock in Rio Lisboa, agendado para junho, o Boom Festival, que deveria acontecer em Idanha-a-Nova entre 28 de julho e 04 de agosto, e o Festival de Músicas do Mundo, marcado para o final de julho em Sines, entre outros, tinham anunciado o cancelamento das edições deste ano, comprometendo-se a regressar em 2021.

Dos considerados grandes festivais de verão em Portugal, apenas o Primavera Sound tinha decidido que iria realizar-se ainda este ano, passando de junho para o início de setembro. No entanto, com a decisão hoje anunciada, tal não será possível.

A proibição do Governo abrange, entre muitos outros, o CoolJazz (01 a 31 de julho, em Cascais), o Alive (agendado para entre 08 e 11 de julho, em Oeiras), o Super Bock Super Rock (16 e 18 de julho, em Sesimbra), o Marés Vivas (entre 17 e 19 de julho, em Vila Nova de Gaia), o Sudoeste (entre 04 e 08 de agosto, em Odemira), o Bons Sons (de 13 a 16 de agosto, em Tomar), o Paredes de Coura (entre 19 e 22 de agosto, naquela localidade minhota), o Vilar de Mouros (entre 27 e 29 de agosto, na vila que lhe dá nome) e o Festival F (03 a 05 de setembro, em Faro).

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