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Um sindicato denunciou ontem que há funcionários que prestam serviços de apoio aos hospitais do Algarve que não estão a ser testados para a covid-19, mas as autoridades de saúde não tem indicação para fazer testes de rotina.

Segundo o coordenador do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Algarve, em causa estão “200 trabalhadores” do Serviço de Utilização Comum dos Hospitais (SUCH) que asseguram, entre outros, os serviços de alimentação e roupa nas unidades do Centro Hospitalar e Universitário do Algarve (CHUA).

Em declarações à Lusa, Tiago Jacinto afirmou ter sido contactado por diversos trabalhadores que se mostraram “bastante preocupados” por poderem “contaminar outras pessoas, nomeadamente os seus familiares”.

“Médicos, enfermeiros e auxiliares são testados. E eles, que lidam também com os doentes e com os profissionais de saúde, não o são”, argumentou.

Contactado pela Lusa, o presidente da Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve afirmou desconhecer qualquer protocolo para testar todos os profissionais que desempenham funções na área da saúde, a não ser que apresentem sintomas de doença.

“Quando há sintomatologia, um caso suspeito, um contacto com um caso, os profissionais são testados. Mas testá-los por rotina, numa base periódica, isso não existe em nenhum país, não tem qualquer base científica. Não faz sentido do ponto de vista médico e de saúde pública”, frisou Paulo Morgado.

Considerando que nesta altura há muitas pessoas “a transmitir opiniões”, recomendou “alguma calma”, avisando, entretanto que é “importante e essencial” que todos os profissionais hospitalares “estejam devidamente protegidos” por se tratar de “uma zona de risco, para esta e muitas outras doenças”.

Segundo Tiago Jacinto, os representantes dos trabalhadores enviaram “há duas semanas um email” ao departamento de recursos humanos do SUCH a “questionar porque é que não eram incluídos nos testes”, contudo, “ainda não obtiveram resposta”, afirmou Tiago Jacinto.

O dirigente sindical referiu também que “depois de andarem o dia todo ao serviço com a farda” são os próprios trabalhadores que “a levam para casa para lavar, apesar da possibilidade de estar contaminada”.

Entretanto, o sindicato solicitou esclarecimentos sobre a situação às administrações do SUCH, do CHUA e da ARS/Algarve, com conhecimento para o Ministério da Saúde.

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