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O padre Miguel Neto, pároco de Tavira, alertou para o perigo de as pessoas se tornarem “números”, com a pandemia, lamentando o impacto das mortes nas famílias, impedidas de fazer o luto.

“Uma das piores coisas provocadas pela pandemia é a falta de luto. Estamos a reduzir a questão do luto a algo mecânico e isso vai trazer problemas psicológicos para muitas pessoas”, referiu à Agência Ecclesia o presidente dos Lares de Santa Maria e Pegada, duas instituições das paróquias de Tavira.

O pároco de Santa Maria de Tavira é, por inerência do cargo, presidente das instituições do Lar de Santa Maria e Pegada, que têm a seu cargo cerca de 200 utentes, que no final de dezembro foram confrontados com um surto de Covid-19.

“A consequência dos atos e comportamentos pessoais, mesmo os comportamentos desconhecidos têm consequência. Podemos ser portadores do vírus e sem saber estamos a contaminar outro”, adverte o responsável que alerta para uma maior consciência critica dos atos pessoais.

“Temos de aumentar a consciência crítica sobre o nosso comportamento. Gostamos de ter um feedback positivo sobre as nossas ações e a nossa vida, mas o lado negativo tem uma enorme influência na vida dos outros”, acrescenta.

Um surto “que teve início na comunidade, fora da instituição social”, foi gradualmente detetado entre os utentes, inicialmente assintomáticos, e paulatinamente com sintomas que se foram agravando.

O padre Miguel Neto relata uma “uma experiência humana difícil de definir”, que, dias depois de ter sido dado como terminado, tem ainda feridas a sarar.

“Há algo que não pode deixar de impressionar – a humanidade das pessoas que trabalham na instituição. Há exemplos de pessoas que merecem uma palavra de louvor, e também a preocupação e proximidade manifestada pela comunidade. Nos tempos difíceis fazemo-nos mais próximos e com preocupações mais saudáveis”, indica.

Confrontado com as 13 pessoas que faleceram, o padre Miguel Neto fala em “cicatriz do fracasso” que obriga a ser “mais forte e mais presente”.

O surto que teve início a 29 de dezembro, foi dado como “terminado” no início do mês de fevereiro, lamentando, a direção do Lar de Santa Maria, “a perda de 13 utentes”.

“A todas as famílias, a quem já contactámos diretamente, voltamos a deixar uma palavra de estima e de consolo: os que amamos permanecem vivos nas nossas memórias, nas nossas histórias de vida e isso faz deles seres eternos”, sublinha a instituição em comunicado enviado à Agência Ecclesia.

Na semana em que se assinala o Dia Mundial do Doente o programa de rádio da Ecclesia, na Antena 1, apresenta testemunhos e rostos de quem passou pela doença provocada pela Covid-19.

Agência Ecclesia

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