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Lembrando que “a história da humanidade é uma história de crises e de superação de crises”, destacam que, “para os que acreditam num Deus que se fez homem em Jesus Cristo, para redimir todas as crises da humanidade, a atitude não pode ser outra senão a esperança de que, também esta situação difícil que estamos a viver, e que tem muitas semelhanças com o tempo em que viveram os apóstolos enviados por Jesus e São Paulo, há de ser oportunidade para redescobrir o que mais vale e dar sentido a uma vida autêntica”.

Considerando que “vivemos uma crise de critérios de valores e de mutação de valores no campo da cultura e da comunicação, que conduz a uma rejeição da identidade cristã numa Europa cada vez mais frágil e vulnerável” e a necessidade de conhecer e refletir sobre as “causas” da mesma crise, o documento saído daquela formação dos bispos e sacerdotes das dioceses do sul, lembra que “a «humanidade» do homem está na interiorização do ser, e não como se tem feito crer, na exteriorização do ter”. “Alguns dos problemas da atual situação em Portugal têm a ver com esta «imposição do ter» em aspetos tão próximos como a «educação formatada», a «teleonomia do sábado» e a «finalidade material da vida»”, constata o texto enviado às redações .

O clero do sul lamenta ainda que sejam “poucos os que assumem a causa dos pobres”, lembrando que “os que fazem reivindicações não são os pobres mas os que se sentem lesados nalguns dos direitos ou regalias que possuíam”.

Para fazer face a isto, a Igreja reforça a disponibilidade para continuar, por meio das suas Instituições Particulares de Solidariedade Social, e dos seus movimentos, “caracterizados por estarem próximos das pessoas e darem respostas imediatas”, a “ajudar os que mais precisam, com a experiência que tem ao longo dos séculos”.

“Esta crise desperta também a Igreja para o incremento da solidariedade e para os perigos do consumismo excessivo, suscitando formas mais imaginativas de economia social”, alertam ainda bispos e padres.

O padre José Morais Palos, presidente do Instituto Superior de Teologia de Évora que organizou as jornadas, advertiu que não se tratam de estratégias. “A estratégia da Igreja vai continuar porque já cá está”, justificou.

D. António Vitalino, Bispo de Beja, considerou que a iniciativa serviu um “refrescar da esperança cristã” e do ministério dos presbíteros e apelou à organização das três dioceses do sul. “Precisamos de nos organizar, de colaborar uns com os outros, porque intensificando a comunhão e a partilha fraterna conseguiremos fazer frente a esta crise e a muitas outras. Aqui, demonstrou-se que unidos podemos muito”, disse.

D. Manuel Quintas, Bispo do Algarve, apelou à continuidade destas jornadas e adiantou que as próximas se irão realizar a 23 a 26 de janeiro de 2012, em local ainda a decidir.

D. José Alves, arcebispo de Évora, considerou que esta ação manifesta a “atitude de comunhão” na Província Eclesiástica do Sul, recordando que a comunhão nas três dioceses que integram aquela circunscrição tem-se manifestado não só na “formação permanente do clero”, mas também na “preparação para o presbiterado”.

Samuel Mendonça

Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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