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De dia para dia, na costa algarvia, o número dos que recorrem à apanha de bivalves, como a conquilha, vão aumentando, embora se torne cada vez mais difícil conseguir subsistir, pois é necessário apanhar o marisco, vendê-lo e, por vezes, fica sem escoamento, estragando-se antes de ser vendido, como disse à agência Lusa Algiro Lixívia.

A Lusa encontrou este pai de família, com cerca de 40 anos, a ajudar o filho e a nora, a separar conquilhas de conchas e a arrumar o material para saírem da praia, depois de várias horas de trabalho, que no máximo e num dia bom pode valer-lhe dez euros.

“Não temos dinheiro, temos de trabalhar. O trabalho é difícil, mas tem de ser, é um sacrifício que se faz também pela família”, disse o filho, querendo o anonimato, segundo disse por receio de "ser perseguido depois" pela Polícia Marítima devido à falta de licenças.

Sem receio de dar a cara, o pai explicou que está a fazer um Programa Ocupacional (POC), que, “vendo bem, sempre dá para pagar muita coisa”.

“A única sobrevivência que temos é o marisco, para termos mais algum dinheiro para comprar fraldas para o miúdo. A vida cada vez está mais difícil, não vale nada, há dias que não dá para nada porque o marisco que apanhamos não dá dinheiro nenhum, outras vezes dá, mas a média que conseguimos aqui é 25/30 euros. A partir daí é para baixo”, afirmou.

Além da família de Algiro Lixívia, a Lusa encontrou também a apanhar conquilhas Manuel Custódio, cozinheiro de profissão, neste momento desempregado, que garante ser um trabalho duro mas que se torna no único recurso para conseguir algum sustento.

“A minha profissão é de cozinheiro, não é a conquilha, mas neste momento não tenho trabalho e não vou estar a passar fome, tenho de vir para aqui para me desenrascar, até que surja para aí um trabalho qualquer”, explicou.

Manuel Custódio alertou que o trabalho na apanha da conquilha “é só para sobreviver”, porque “não é vida para ninguém” e “não tem futuro”.

“Há pessoas que fazem vida disto porque não têm profissão. Agora, quem tem profissão, anda aqui porque não tem trabalho. Podemos agradecer ao nosso governo atual, para não falar dos outros que têm estado lá”, criticou.

Manuel Custódio disse que “acabou a construção, o IVA para os restaurantes está uma calamidade e as pessoas vão fechando as casas, as empresas, porque não conseguem suportar os impostos”.

“Uns vão para o fundo de desemprego, outros recebem uma ajuda de sobrevivência, mas isso não chega para nada, o que é que as pessoas fazem com 300 ou 400 euros para pagar luz e água, comprar gás e comida”, afirmou.

Lusa

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