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Em declarações a Folha do Domingo, o padre António de Freitas, assistente regional do CNE, testemunha que, embora não existam casos declarados, “há miúdos que mostram dificuldade em participar em determinadas atividades porque as famílias não têm disponibilidade financeira para tal”. “Temos também casos cujas famílias não conseguem comprar o fardamento”, garante o sacerdote.

“A Junta Regional está, por isso, a refletir sobre a possibilidade de criar uma fonte de receita que se destine só à ação sóciocaritativa, caso algum agrupamento necessite”, explicou o padre António de Freitas, que pediu no Dia do Dirigente àqueles responsáveis dos agrupamentos que estejam mais atentos às situações de carência interna. “Seria inaceitável que nós, que ajudamos tanto os de fora, tivéssemos gente dentro dos nossos agrupamentos que passasse por necessidades sem que sequer nos apercebêssemos ou pudéssemos ajudar”, considerou, desejando que “que o CNE esteja muito mais ativo na observação e na ajuda”.

Aquele membro da Junta Regional explica que os agrupamentos podem até criar uma conta solidária que reúna fundos para ajudar ao nível de despesas com fardamento, alimentação, escola ou outras e aponta para a possibilidade de os agrupamentos fazerem uma recolha ou angariação de fundos em proveito próprio.

O padre António de Freitas diz que os dirigentes do agrupamento devem ser os primeiros a “desbloquear as situações de vergonha e de encobrimento”, podendo também encaminhar os escuteiros carenciados para instituições que ajudem na resolução do problema. “Colaboramos tanto na angariação de fundos para diversas instituições, mas se acontecer no nosso agrupamento não temos como apoiar porque não ficamos com nada para nós”, evidenciou, lembrando que um agrupamento escutista não é uma instituição que possa recorrer, por exemplo, ao Banco Alimentar Contra a Fome.

A Junta Regional quer ainda reestruturar as atividades que promove. Uma das principais prioridades é reduzir a custo zero as iniciativas, de modo a que estas não pesem no bolso das famílias dos escuteiros. “Temos de começar a fazer atividades autossustentáveis, em locais onde não tenhamos de pagar pela ocupação, para que os participantes não tenham de pagar inscrição. Mesmo a localização deve ser escolhida de modo a evitar gastos nos transportes. É preciso que, ao programar as atividades, tenhamos isso em conta para não penalizar as famílias”, complementou o assistente regional, justificando que se trata, no fundo, de “voltar às origens do escutismo”. “Ao invés de termos empresas de catering a fornecer as refeições, cada miúdo deve levar a alimentação de casa”, exemplifica o padre António de Freitas.

Atualmente, o efetivo do CNE no Algarve conta com 2000 elementos distribuídos por 33 agrupamentos.

Samuel Mendonça

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