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© Samuel Mendonça
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Os líderes das Igrejas Católica, Greco-católica, Luterana, Anglicana e Ortodoxa Romena do Algarve reuniram-se na passada sexta-feira à noite com os cristãos daquelas confissões para rezar pela Europa.

A iniciativa “Juntos pela Europa” (“Together for Europe”, na versão internacional) é uma iniciativa europeia que nasceu em 1998 e que quer “reavivar a alma cristã” do continente.

Tudo começou em Roma, na vigília de Pentecostes daquele ano, quando o Papa João Paulo II reuniu os movimentos e as novas comunidades e pôs em relevo o papel essencial que têm na Igreja.

Fundadores e responsáveis de vários movimentos, para responder ao apelo do Papa, iniciaram um percurso de comunhão, de mútuo conhecimento entre todos, tendo em vista reavivar a alma cristã da Europa. Mais tarde esta comunhão foi alargada a movimentos de outras Igrejas cristãs e deram-se novos passos no sentido de colaborarem para “preencher o enorme vazio religioso da Europa”.

A base da sua comunhão é um “pacto de amor recíproco” inspirado pelo evangelho que os une estreitamente. Com este espírito de comunhão realizaram-se em Estugarda, na Alemanha, em 2004 e em 2007, duas grandes jornadas europeias com o lema “Juntos pela Europa”, de onde surgiu o Manifesto ‘os 7 SIMs’ que sublinha em sete pontos o desejo de contribuir para uma Europa unida, apesar das diferenças, numa colaboração efetiva entre os movimentos e aberta a todas as pessoas.

Uma das intenções centrais do “Juntos pela Europa” é que os vários movimentos e comunidades de várias Igrejas cristãs se deem a conhecer e que assim se possa desenvolver um novo entendimento e uma nova prática.

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Os ‘os 7 SIMs’ propostos são o “SIM à vida, defendendo-a em todas as suas fases”, o “SIM à família, raiz de uma sociedade aberta ao futuro”, o “SIM à criação, defendendo a natureza e o ambiente”, o “SIM a uma economia justa, ao serviço da pessoa e da humanidade”, o “SIM à solidariedade, para com os pobres e marginalizados”, o “SIM à paz, promovendo a reconciliação através do diálogo” e o “SIM à responsabilidade fraterna”, para que as cidades “se tornem espaços e acolhimentos”.

Em maio de 2012, em Bruxelas, voltou a realizar-se outra jornada e, desde aí, o Algarve tem-se associado anualmente a esta iniciativa.

Este ano, a oração que pediu “que seja renovada a consciência cristã dos povos da Europa”, realizou-se na Sé de Faro, tendo sido realçado o “SIM” à solidariedade, evidenciado pelo gesto dos participantes ao trazerem um quilo de alimento para partilha com os mais desfavorecidos. Durante a celebração lembrou-se os 40 milhões de pessoas que vivem “graves privações materiais” e a “crise de valores que avassala” o continente, pedindo-se a vocação de, diante da crise, “fazer renascer a esperança”.

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O bispo católico do Algarve, citando a última Nota Pastoral dos bispos portugueses, intitulada «Votar por uma Europa melhor», lembrou que o continente “é muito mais do que um espaço geográfico”. “É uma comunidade de ideais e valores, para a qual muito tem contribuído a fé cristã ao longo dos séculos”, afirmou D. Manuel Quintas, lembrando que “o ressurgir do ideal europeu, em boa parte foi obra de líderes políticos cristãos”.

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“A Europa é um projeto sempre em construção e nós somos chamados a acompanhar as atividades das instituições europeias que honrem a Europa como a sua casa moral e espiritual, promovendo os valores que são a matriz da sua identidade”, acrescentou, pedindo aos presentes que se empenhem e contribuam para uma “Europa melhor”. “Melhor em quê? Por exemplo, em que seja salvaguardada a vida humana desde conceção até morte natural; em que o desemprego não pareça um mal inevitável mas um desafio a responder sem adiamentos; em que as fronteiras não se fechem à solidariedade com os povos maltratados política e economicamente; em que o diálogo inter-religioso e intercultural seja o caminho de sentido único para uma paz justa e duradoura; em que o capital não se arvore em governo autocrático mas sirva a pessoa humana e o bem comum”, precisou o prelado, pedindo políticos “responsáveis e competentes” para cumprir este ideal.

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O pastor Hans Uwe Hüllweg, representante da Igreja Luterana, exortou os cristãos a serem exemplo. “Nos dias de hoje, com a importância do bem-estar económico e a ganância a tornar-se a grande prioridade que nos leva à destruição, a Igreja tem de ser o exemplo que mostre que deixar o caminho do bem-estar económico conduz-nos à liberdade”, afirmou.

Lembrando o fim da Segunda Guerra Mundial, com os milhões de vítimas perseguidas, executadas e refugiadas, Hüllweg agradeceu a Deus pela paz na Europa e orou-lhe para que ajude aqueles que na Europa e por todo o mundo trabalham para a preservar. “Quando secundarizamos as diferenças entre nós, trazemos para o mundo o pão da vida de Jesus”, frisou, enfatizando ao papel das Igrejas cristãs.

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A vigília foi ainda concelebrada pelos cónegos Firmino Ferro e José Pedro Martins, respetivamente vigário geral e vigário episcopal para Pastoral da Igreja Católica algarvia, e pelo padre José Manuel Pacheco, também sacerdote católico, pelo padre Ioan Rîşnoveanu, representante de Igreja Ortodoxa romena algarvia, pelo padre Oleg Trushko, representante da Igreja Greco-católica no Algarve e pelo padre Lars Nowen da Igreja Anglicana algarvia.

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