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Católicos, anglicanos, luteranos e ortodoxos encontraram-se, no passado sábado à tarde (21 de janeiro), na igreja católica de Santa Maria de Lagos, para rezarem juntos pela unidade cristã durante este oitavário (oito dias) de oração que teve início no passado dia 18 deste mês e que termina já amanhã (25 de janeiro), data em que a Igreja Católica evoca a conversão do apóstolo São Paulo.

Sob o tema “Todos seremos transformados pela vitória de nosso Senhor Jesus Cristo” (Cf 1 Cor 15, 51-58), escolhido este ano por representantes polacos da Igreja Católica Romana, da Igreja Ortodoxa e dos Antigos Católicos e Igrejas protestantes, a celebração, elaborada pelo mesmo grupo, contou, em Lagos, com a presença do bispo do Algarve, D. Manuel Quintas, e dos padres Abílio Almeida, José Manuel Pacheco e Joaquim Nunes em representação da Igreja católica, da pastora Anke Stalling em representação da Igreja Luterana alemã, dos padres Haynes Hubbard e John Wilson em representação da Igreja Anglicana, e do padre Ioan Rîşnoveanu, representante de Igreja Ortodoxa romena. O padre Ivan Gherbovetchi, da Igreja Ortodoxa moldava, que não participou na celebração devido a um problema com o seu carro, chegou já no final da mesma, a tempo ainda de cumprimentar os restantes religiosos.

Na celebração ecuménica, tendo presente o tema escolhido para este ano, extraído da primeira carta de São Paulo aos cristãos de Corinto, que sublinha o poder transformador da fé em Cristo, particularmente no que se refere à oração pela unidade visível da Igreja, o Corpo de Cristo, D. Manuel Quintas exortou os cristãos a olharem mais àquilo que os une do que àquilo que os divide e a verem-se mutuamente como “irmãos e amigos e não como adversários”. “É em Cristo e com Cristo que poderemos crescer para a unidade. É a sua vitória que nos ajuda a superar as nossas divisões”, afirmou o bispo do Algarve, que destacou a região algarvia como “terra de partilha, convívio e enriquecimento mútuo” também no aspeto religioso.

O padre Haynes Hubbard, que se regozijou com uma oração conjunta de anglicanos e católicos na quarta-feira anterior em Espiche (Luz de Lagos), centrou-se na simbologia das mãos dos presentes, considerando-as “pecadoras” mas sobretudo “santas e abençoadas” porque “usadas por Deus para fazer o seu trabalho em prol das pessoas do Algarve”. “Somos um corpo e estas mãos estão aqui para estabelecer o reino de Deus, para celebrar o dom de Deus para a sua Igreja e para serem instrumento de esperança num mundo que tanto dela carece”, afirmou.

A pastora Anke Stalling lembrou a importância das Igrejas perante a atual crise. “As nossas comunidades espirituais têm a tarefa de transmitir fé e coragem às pessoas”, afirmou, lembrando a importância de se pedir “esperança” e “amor” a Deus e a necessidade de os cristãos serem “testemunhas do seu amor com serenidade”.

O padre Ioan Rîşnoveanu lembrou, a propósito, que a atual crise “não é só material”. “É uma crise espiritual e é daqui que vem todo o mal”, defendeu, lembrando que, “quando estamos com os olhos fixos em Deus, sem olhar às circunstâncias, podem vir problemas, tribulações, perseguições, deceções ou ilusões, que não nos sentiremos abalados”.

O movimento ecuménico, surgido no final do século XIX, desenvolve iniciativas tendentes a favorecer o regresso à unidade dos cristãos, quebrada no passado por ruturas.

O Oitavário pela Unidade da Igreja tem as suas raízes em 1908 e seis décadas depois a iniciativa passou a ser preparada por diversas confissões cristãs, mediante o trabalho conjunto do Conselho Mundial das Igrejas e do atual Conselho Pontifício para a Unidade dos Cristãos, da Igreja Católica.

No Algarve esta intenção de unidade consubstancia-se, por exemplo, na partilha da Igreja católica com as diversas comunidades presentes na região dos espaços de oração e reunião.

Samuel Mendonça

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