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O prelado, que apresentou esta manhã uma conferência, subordinada ao tema “Catedral, expressão histórica do magistério e do exercício pastoral”, começou por salientar o sentido eclesial das Sés. “Entre os templos da diocese, o lugar mais importante pertence à catedral que é sinal de unidade da Igreja particular, lugar onde se realiza o momento mais alto da vida da diocese e se cumpre o ato mais sublime e sagrado do múnus santificante do bispo”. “Catedral é também sinal do magistério e do exercício pastoral do bispo da diocese”, acrescentou.

O orador, que explicou que a expressão sé catedral está “errada”, disse que a igreja catedral, “para assumir a tarefa de ser o coração da vida diocesana, deverá ser o lugar onde o bispo ensina, celebra e governa” e frisou que “o serviço pastoral do Bispo está simbolizado de forma constante pela sua cátedra”. “Catedral é o lugar onde o bispo tem a sua cátedra, a partir da qual educa e faz crescer o seu povo através da pregação, preside às principais celebrações do ano litúrgico. É a presença desta cátedra que constitui a igreja catedral, o centro espiritual e concreto de unidade e comunhão para o presbitério diocesano e para todo o povo santo”, afirmou.

D. Carlos Azevedo destacou que a catedral assume “caráter modelar” na decoração e nas celebrações, “uma tarefa constantemente a cuidar”. “É na igreja-mãe que os rituais devem brilhar com mais beleza. A sublimidade dos mistérios celebrados é aí mais expressiva. O espaço interno deve garantir a qualidade das celebrações. A distribuição exemplar de espaços internos é normativa para a diocese”, complementou.

Simultaneamente, D. Carlos Azevedo evidenciou que “a igreja catedral desempenha um valor social próprio nas cidades” e que as Sés “tornaram-se fulcrais na evolução das cidades”, pois orientaram o seu crescimento.

O orador salientou ainda o tempo em que a catedral era também o “lugar para a atividade letiva”. “As escolas catedrais estiveram na origem das universidades”, recordou, considerando que “culto sem cultura pode apagar-se em piedade sem expressão ou reduzir-se a rito, cada vez mais, insignificante”. “Culto sem cultura tem os dias contados”, complementou.

Neste sentido defendeu que as catedrais podem ser “espaços onde se aprofunda as implicações políticas e económicas da mensagem de Cristo” e se pode “chegar a gente de diferentes sensibilidades e dimensões culturais”. “Na catedral se recolhe o mais consistente depósito da memória, da vida e da diocese”, concluiu.

Samuel Mendonça

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