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Na semana em que se conheceu a nomeação do novo Diretor da Obra Nacional da Pastoral do Turismo, o sacerdote algarvio Miguel Lopes Neto, D. Francisco Senra Coelho, Arcebispo de Évora, na sua passagem pelo Algarve, nas celebrações em honra da Mãe Soberana, salientou a «importância da riqueza deste campo pastoral».
«A Igreja pode fazer muito explicando o seu património», referiu, considerando que esta pode ser uma forma privilegiada «de intercâmbio entre a Fé e a Cultura, de que tanto se fala».
A formação de guias turísticos e das pessoas que fazem o acolhimento de quem visita os templos é, na sua perspetiva, algo para o qual «nós temos que despertar, quer as Dioceses, quer o país (ou seja, a Igreja enquanto Conferência Episcopal Portuguesa), para termos gente preparada em dois níveis: formadores de formadores e formados nas Dioceses».
«As nossas obras de arte exprimem a Fé de um povo e, quando o turismo acontece e se encontra com os lugares de culto (as igrejas, os templos, os santuários), é necessário haver uma introdução, uma hermenêutica, uma explicação do significado daquela obra, para que a pessoa usufrua», afirma o prelado, identificando todos os espaços religiosos como carregados «de simbolismo». Isso, entende, D. Francisco Senra Coelho, exige a compreensão da «semiótica, de toda a simbólica da espiritualidade cristã», dos estilos arquitetónicos de cada época histórica, «da eucaristia, os sacramentos, a história da Salvação, a história bíblica». Garante, igualmente, a possibilidade de «o cristianismo poder transmitir e explicar à pessoa os seus símbolos, os seus sinais, os seus valores e a sua espiritualidade».
Lamentavelmente, para o Arcebispo de Évora, «muitas vezes as igrejas não têm ninguém a acolher, a explicar». E ainda que nem todas exijam a mesma explicação, por não terem uma elevada riqueza artística e algumas já tenham suportes escritos com a interpretação dos espaços, o prelado considera que seria da maior importância «cuidar de ter uma escola, que preparasse pessoas com capacidade, rigor, profissionalismo», não havendo necessidade de criar «um curso superior», mas sim «um curso prático, profissional (mas se for superior, melhor)». E sugere: «Uma diocese pode ter alguns desses elementos, que à hora marcada estão naquele sítio para fazer a explicação a quem chega». Dessa forma, considera que seria evitada a típica situação da chegada de 50 pessoas, num autocarro, que «olham para a Igreja e a vejam como igual às outras», não se dando conta, tantas vezes, dos tesouros artísticos que elas encerram.

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