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Na intervenção sobre o tema “O Templo: sinal da presença de Deus no mundo e na vida dos homens”, o bispo emérito do Algarve apresentou uma reflexão, vista à luz da revelação divina, sobre o significado e importância dos templos.

Começando por se referir a condição daquela infraestrutura no Antigo Testamento, o prelado explicou que já naquele tempo o templo era um “espaço sagrado destinado a acolher os membros do povo de Deus, da comunidade judaica”, a qual podia fazer desse modo a “experiência comunitária do encontro com Deus”.

O orador explicou que os templos tiveram uma “função importante na vida do povo do Antigo Testamento e, de certo modo, prepararam o caminho para a criação do grande Templo de Jerusalém”.

Sobre este, D. Manuel Madureira Dias explicou que se destinava a recolher a Arca da Aliança “onde se guardavam as grandes recordações da História da Salvação do povo hebreu”. O Templo de Jerusalém acabou, no entanto, por ser destruído porque se tornou num lugar de práticas exteriores sem a correspondente vivência de coração. O conferencista explicou que o Templo de Jerusalém era apenas “figura de um Templo, muito mais personificado, que havia de ser construído pelo próprio Deus”. “O templo material, construído por mãos humanas, era uma mera imagem do que Deus havia de erguer entre os homens: o seu próprio Filho imortal”, concretizou.

O bispo emérito do Algarve observou que “Jesus não veio instituir uma religião do templo”, lembrando que, “o único lugar na terra, a partir do acontecimento da encarnação, morte e ressurreição, é Cristo”. “O Templo, verdadeiramente incarnado, é o próprio Filho de Deus feito homem”, acrescentou.

Por outro lado, lembrou que Nossa Senhora “tornou-se a verdadeira arca onde Jesus esteve durante nove meses”. “Nenhuma criatura pôde acolher em seu seio o Templo Sagrado, o filho de Deus. Em certo sentido, Maria é a casa construída, pela mão do próprio Deus, para acolher o descendente de David que Deus prometera”, complementou.

D. Manuel Madureira Dias evidenciou ainda que também os cristãos são “verdadeiros templos do Senhor”. “A Igreja, comunidade de fiéis, é que é o verdadeiro templo vivo, a herdeira de todos os lugares sagrados da Bíblia”, afirmou. Neste sentido, acrescentou que o Templo é “sinal visível da comunidade cristã”. “O verdadeiro templo é o conjunto dos fiéis, a comunidade, a igreja viva. O templo a construir é o sinal visível onde essa comunidade se reúne para se encontrar com Deus”, explicou.

O orador, que lembrou que só estamos seguros em Deus e que “a Igreja-templo não é um lugar de refúgio ou de segurança”, destacou que “Deus habita em santuários construídos pela sua mão” e não em santuários construídos pela “mão dos homens”. “Os templos materiais, onde estamos reunidos, são sinais a apontar para a eternidade”, salientou.

D. Manuel Madureira explicou ainda que “o templo é sinal visível de uma Igreja ainda a caminho”, ”sinal de um templo espiritual” e “lugar onde se faz a memória do passado” como “sinal visível da obra que Deus tem realizado na comunidade cristã durante estes dois milénios”.

Salientando ainda o templo como “sinal de Deus presente no meio de nós” e “lugar da renovação contínua da nossa aliança com Deus, onde se celebra proclama a Palavra de Deus que nos desperta para a fé e se celebram os sacramentos”, recordou que os templos “mantêm em permanência o Senhor vivo e ressuscitado que foi celebrado na Eucaristia e se conserva nos sacrários”.

Por fim, referiu-se ao templo como “profecia da cidade futura” porque “aponta para o futuro que nos aguarda”, como “sinal profético de esperança”. “A alegria da Igreja, reunida no templo, por ter Deus presente com ela, e ao mesmo tempo por ter os irmãos que professam a mesma fé numa celebração comunitária, é qualquer coisa que precisa de ser vivida com os olhos na eternidade”, defendeu.

A terminar, considerou que “os templos terrenos, onde nos reunimos, devem tornar-se um «cantinho do céu», por isso merecem o nosso cuidado”.

Samuel Mendonça

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