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“Este ano, ao ser convidado para me integrar nesta celebração, despertei para esta realidade do ponto de vista pastoral. Certamente que nos próximos anos vamos inserir a celebração deste dia no Programa da diocese”, observou o prelado na igreja do Santuário de Nossa Senhora da Piedade, a Mãe Soberana, em Loulé, acrescentando que “era muito importante que, na missa que se celebra neste dia, se fizesse referência [ao Dia da Memória], também pelo sentido pedagógico que tem, e como dia de conforto por todos aqueles que perderam familiares, colegas ou amigos”.

D. Manuel Quintas considerou ainda que “temos um caminho muito grande a percorrer no sentido de envolvermos mais gente” na celebração anual do Dia da Memória, iniciado em 1995 por iniciativa da Federação Europeia das Vítimas da Estrada.

A governadora civil de Faro agradeceu o “empenhamento maior” da Diocese do Algarve. “Assim desmultiplicaremos as nossas vozes”, considerou Isilda Gomes no final da Eucaristia em que D. Manuel Quintas pediu um compromisso na mudança dos comportamentos na estrada.

O Bispo do Algarve exortou sobretudo a uma maior co-responsabilização na sensibilização e prevenção do problema. “Celebrar o Dia da Memória deve constituir para todos crescer na responsabilização colectiva e na actuação de todos para travarmos esta autêntica calamidade”, disse, considerando a sinistralidade rodoviária “um verdadeiro flagelo das sociedades modernas e um dos mais graves problemas de saúde pública que se traduz num fim abrupto e fatídico de tantas vidas e que causam um sofrimento profundo a tantas famílias”.

Lembrando a intenção do Papa João Paulo II, em 2002, ao empenhar-se pessoalmente na promoção daquela data, explicou que esta é também um dia de oração. “Para os cristãos, evocar a memória de quantos perderam a vida em acidentes rodoviários significa celebrar e professar uma verdade essencial da nossa fé. Acreditamos que, com a morte natural ou acidental, a vida não acaba, apenas se transforma. Se a certeza da morte nos entristece, conforta-nos a esperança da imortalidade”, frisou, acrescentando que a oração se estende àqueles que “vivem na saudade dessa ausência” e aos que ficam feridos e incapacitados.

O Bispo do Algarve alertou ainda que, “durante o século XX morreram cerca de 25 milhões de pessoas em desastres rodoviários”. “Este número assusta-nos”, reconheceu, apontando que, em acidentes de viação, “morrem anualmente no mundo cerca de 1 milhão e 200 mil pessoas e os feridos são à volta de 50 milhões”. “Só na União Europeia são 40 mil os mortos e 1 milhão e 700 mil os feridos em cada ano”, acrescentou, evidenciando a diminuição que houve em Portugal. “Os cerca de 2600 mortos registados anualmente na década de 80 baixaram para cerca de 800 mortos por ano na actualidade. É um progresso muito grande”, constatou, sublinhando o aumento da rede de estradas e dos automóveis a circular nas estradas portuguesas. “Alguns calculam que o aumento foi de 500 mil para alguns milhões”, disse.

Segundo o Bispo diocesano, “a Organização Mundial de Saúde prevê que, em 2020, os acidentes rodoviários ocupem o terceiro lugar como causa de morte, depois das doenças cardíacas e das depressões graves, se não nos empenharmos todos em diminuir estes números”.

D. Manuel, com base num documento de 2007 do Conselho Pontifício para os Itinerantes e Migrantes com orientações pastorais para aqueles se movem nas estradas, destacou ainda que “conduzir devia significar para todos conviver com o seu semelhante”. “Quanto mais a estrada for considerada como meio de partilha, respeito e comunhão entre aqueles que nela circulam, e não como meio de manifestação de poder, domínio e competição, maior consciência cívica e prevenção e, necessariamente, menos acidentes, menos mortos e feridos haverá”, observou, pedindo a bênção da Mãe Soberana para quantos se deslocam nas estradas.

Isilda Gomes destacou ainda o carácter inovador da iniciativa promovida pelo Governo Civil de Faro que contou com a participação de muitos motoclubes algarvios. “Iniciámos uma nova forma de sensibilizar a nossa região”, considerou, deixando um apelo à paz nas estradas. “Que daqui, da Mãe Soberana, soprem ventos de paz para a nossa região e para o nosso país”, desejou, sublinhando que os acidentes são a principal causa de morte dos jovens na casa dos 30 anos. “Andar na estrada pode ser um acto de prazer ou um acto de dor, um momento de paz ou um momento de guerra. Que não se derrame mais sangue nas nossas estradas. Está nas nossas mãos. Que esta guerra seja uma guerra ganha”, pediu.

Samuel Mendonça

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