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Defesa de jovem morto em Portimão pede “intervenção urgente” da PGR junto da justiça brasileira

A defesa do pai do jovem alegadamente morto pelo padrasto em Portimão, em 2016, pediu ontem à procuradora-geral da República (PGR) uma “intervenção urgente” junto das autoridades brasileiras para que acusem o suspeito, natural daquele país.

A investigação do Ministério Público (MP) português concluiu há um ano que Rodrigo Lapa, à data com 15 anos, foi morto por Joaquim Sousa Lara, que viajou para o Brasil dias após o crime, país no qual reside atualmente, encontrando-se em liberdade.

Em março deste ano, o MP anunciou na página da internet da Procuradoria da Comarca de Faro que o processo transitou para a justiça brasileira, explicando que “a transmissão do procedimento criminal foi deferida e aceite pela República Federativa do Brasil, pelo que o respetivo processo passou a correr os seus termos naquele país” de origem do principal suspeito.

Em nota enviada na tarde de ontem à agência Lusa, a defesa do pai da vítima pede à PGR “uma intervenção urgente junto das autoridades judiciárias brasileiras, titulares da ação penal, para que promova, de forma urgente, acusação contra Joaquim Sousa Lara pela prática do crime do homicídio qualificado do jovem Rodrigo Lapa”.

O advogado Pedro Proença pede ainda à PGR “que nomeie um representante especial, para, junto das autoridades judiciárias brasileiras, acompanhar o processo, informar a PGR portuguesa e o assistente dos desenvolvimentos do mesmo, bem como acompanhar o julgamento a realizar no Brasil”.

“Só assim, na opinião dos advogados do pai da vítima, se poderá assegurar a realização da justiça, que tarda para um jovem português vítima de um crime brutal”, sublinha a nota.

O comunicado refere ainda que os advogados de Sérgio Lapa, pai do jovem, “tiverem hoje [ontem], pela primeira vez, acesso à totalidade do processo crime remetido às autoridades judiciais brasileiras para promoção de acusação contra o principal suspeito da prática do crime, o cidadão brasileiro Joaquim Sousa Lara”.

“Para lá do horror inerente às fotografias tiradas à vítima no local do crime e na autópsia médico legal, só por si reveladores da tremenda brutalidade dos factos, os advogados do pai da vítima foram confrontados com as provas obtidas pela Polícia Judiciária (PJ) de Portimão, que apontam inequivocamente e sem qualquer margem de dúvida para o referido Joaquim Sousa Lara como o autor do homicídio”, lê-se na nota.

No entender da defesa da família do jovem, “tanto as provas biológicas, como as físicas, como a prova produzida na sequência da apreensão do telemóvel da vítima, indiciam de forma inquestionável aquele cidadão brasileiro”.

Contactado pela Lusa, o advogado Pedro Proença disse que o telemóvel de Rodrigo Lapa, “a única coisa que desapareceu da mochila” que o jovem transportava no dia do homicídio, foi encontrado pelos inspetores da PJ “no quarto” de Joaquim Sousa Lara, na localidade de Cuiabá.

O advogado contou ainda que “foram encontradas luvas de látex junto ao corpo do jovem, usadas no crime, que tinham ADN” do padrasto.

Rodrigo Lapa, à data com 15 anos, desapareceu a 22 de fevereiro de 2016. O corpo viria a ser encontrado uma semana depois num terreno perto da casa onde vivia com a mãe, o padrasto e uma irmã bebé, a 02 de março.

O corpo do adolescente estava num terreno baldio nas imediações da residência, em Portimão, entre o sítio das Vendas e o Malheiro, junto a uma das principais entradas da cidade.

O adolescente frequentava um curso de Cozinha na cidade vizinha de Lagoa, tendo faltado às aulas três dias antes de a mãe ter comunicado às autoridades o seu desaparecimento, a 22 de fevereiro.

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