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O sacerdote, que integrou a comitiva portuguesa de 25 delegados (e que incluiu mais três portugueses que já estavam em Dublin para participar na iniciativa), considera mesmo que foi das experiências mais importantes da sua vida –, logo atrás da Jornada Mundial da Juventude em Madrid, em 2011, e da missão em Angola, em 2006 –, a mais significativa que já viveu.

O delegado ao CEI, que teve como objetivo colocar a Igreja a refletir sobre a Eucaristia, destaca o sentimento vivido de universalidade da Igreja. “Foi uma experiência muito grande de Igreja porque experimentei um bocadinho da Igreja toda, da Igreja comunhão, a Igreja que é «mãe» e que, por isso, acolhe os seus «filhos» de muitas maneiras e da Igreja que somos chamados a construir”, sustenta o sacerdote, lembrando que os novos continentes estiveram presentes “massivamente”, ao contrário da Europa.

O padre Pedro Manuel considera que o congresso, sob o tema “A Eucaristia: Comunhão com Cristo e entre nós”, serviu para ver como é que a Eucaristia poderá ser “ponto de unidade” entre cristãos e que o mesmo demonstrou que “a Igreja está preocupada em abrir-se à comunhão”. Assim, o CEI foi aberto à participação de cristãos não católicos e “a preocupação ecuménica foi muito evidenciada” no decurso do mesmo. “O facto de se começar, num congresso desta envergadura, com um dia dedicado ao ecumenismo, já é sinal disso. O facto de se colocar um arcebispo anglicano a presidir à celebração ecuménica num país maioritariamente católico e no contexto de um congresso da Igreja católica, acho que é um bonito gesto”, testemunha o sacerdote, considerando haver o “desejo de se manifestar essa comunhão e unidade a partir destes pequenos passos”.

Neste sentido, o CEI arrancou no dia 11 de junho com o Dia Ecuménico com intervenções do irmão Alois, prior da Comunidade Ecuménica de Taizé (França), e de Maria Voce, presidente do Movimento dos Focolares, duas participações que sensibilizaram muito o delegado algarvio. “A presidente dos Focolares lembrou que a Igreja é o povo nascido do Evangelho. Os batizados são esse povo que nasceu do Evangelho porque o Evangelho era a norma de vida. O irmão Alois também tocou muito na questão da identidade que o batismo nos dá e dizia-nos que há uma coisa escandalosa: os cristãos habituaram-se a estar divididos como se isso fosse uma coisa normal. E este intercâmbio de dons devia levar-nos a ir mais além”, testemunhou, destacando ainda a celebração ecuménica presidida pelo arcebispo anglicano de Dublin.

O padre Pedro Manuel explicou que o segundo dia foi dedicado à Família. “O grande enfoque foi que a nossa vocação comum é o amor. Temos de passar esta vocação àqueles que vêm depois de nós. A preocupação de tornar Jesus presente nas famílias hoje. Houve um grande reafirmar do sacramento do Matrimónio para dizer que a verdade do amor é a base de toda e qualquer família. Falou-se muito da preocupação em relação aos divórcios e às crianças, filhas de pais separados”, contou.

O terceiro dia, dedicado ao Sacerdócio, contou com vários testemunhos sacerdotais, através dos quais se realçou a necessidade de se “encontrar pontos de comunhão” entre paróquias e entre aqueles responsáveis, mas, segundo o delegado algarvio ficaria marcado pela “conferência extraordinária” do cardeal D. André Vingt-Trois, arcebispo de Paris (França), sobre a formação dos futuros sacerdotes. O padre Pedro Manuel explicou que o purpurado se deteve na importância de viver o sacerdócio como uma “experiência de comunhão”, uma vez que “o padre não é um ser solitário” e “deve experimentar a comunhão com os seus pares”; como uma “experiência de sacramento”, uma vez que “o sacerdócio não é uma coisa sua mas algo que Deus lhe confere”; valorizando a “vivência da castidade”, tentando que seja “entendida como uma experiência positiva”; e como uma condição que leve ao “confronto com a Palavra de Deus e com a formação inteletual”. A conferência da tarde, sobre “O Sacerdócio como Ministério de Comunhão”, refletiu sobre a corresponsabilidade no sacerdócio, destacando que “o sacerdote deve colocar os outros a trabalhar consigo, não como colaboradores dependentes de si mas como corresponsáveis”.

O quarto dia (quinta-feira, 14 de junho), dedicado à Reconciliação, contou com uma celebração penitencial de duas horas, seguindo-se três horas de confissões, o quinto dia foi (sexta-feira, 15 de junho) o da unção dos doentes e no sexto dia (sábado, 16 de junho) realizou-se uma catequese feita pelo arcebispo de Manila (Filipinas), na qual lamentou que os católicos ainda não tenham descoberto quem é Deus e que o podem tratar por Pai.

A esperança de que “este congresso tem necessariamente que dar frutos à Igreja, pelo que representou de universalidade e pelo modo como a Igreja da Irlanda o acolheu e preparou”, foi evidenciada na mensagem do cardeal D. Marc Ouellet, prefeito da Congregação dos Bispos e legado papal ao encontro, durante a missa de encerramento no domingo (17 de junho), na qual o arcebispo de Dublin, D. Diarmuid Martin, pediu também muita oração pela Igreja da Irlanda para que esta se reconstrua após o crime de pedofilia praticado por sacerdotes. “Houve uma grande preocupação de se pedir perdão pela pedofilia em todas as celebrações e a Igreja católica referiu-se a esse acontecimento como o escândalo”, testemunha o padre Pedro Manuel.

O sacerdote, que destaca ainda a “celestial” liturgia do congresso, diz que foi “uma graça” ter participado no mesmo em nome da diocese algarvia. “Fiquei com vontade de participar noutros congressos, mesmo quando não for delegado diocesano, pelo que se aprende e pela experiência que se tem”, confessa, mostrando-se agora focado no que a sua presença em Dublin poderá trazer para a Igreja algarvia.

Samuel Mendonça
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