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Antiga_estacao_lagosA demora na finalização da venda da antiga estação de comboios de Lagos está a atrasar a abertura de um café e uma galeria de arte que um casal britânico ali quer instalar, disse à Lusa o intermediário do negócio.

O edifício da antiga estação, inaugurada em 1922, foi desativado há oito anos e vendido em março do ano passado a um casal britânico residente em Lagos que desde então aguarda a assinatura da escritura de compra e venda do imóvel, contou Martiniano dos Reis, agente imobiliário responsável pelo negócio.

Fontes da Câmara de Lagos e da Refer – Rede Ferroviária Nacional, empresa que está a vender o imóvel, confirmaram à Lusa a intenção de ali ser criado um estabelecimento comercial e que o processo de alienação ainda está a decorrer, mas não avançaram pormenores sobre o projeto, que se arrasta há mais de um ano.

Segundo Martiniano dos Reis, responsável pela agência da Garvetur em Lagos, apesar de o imóvel ter sido adquirido há catorze meses, ainda só foi assinado o contrato de compra e venda, uma vez que a assinatura da escritura tem que ser autorizada pelo Governo.

O agente imobiliário contou à Lusa que o casal passou férias no Algarve durante mais de 30 anos até se mudar para Lagos e que a mulher guarda recordações daquela estação, onde esteve muitas vezes à espera do comboio para a levar até Faro, onde apanhavam o avião.

A intenção do casal é manter a traça arquitetónica original do edifício, da década de 1920, reconvertendo o espaço para ali instalar um café e uma galeria de arte cuja temática estará ligada aos caminhos de ferro.

Num outro espaço da estação de Lagos, onde existe uma antiga cocheira (local onde se recolhiam as carruagens), deverá em breve reabrir ao público um núcleo museológico criado na década de 1980, mas entretanto encerrado, disse à Lusa fonte da Fundação Museu Nacional Ferroviário.

“O nosso objetivo a breve trecho é, assim que terminarem as obras de requalificação do telhado, abrir ao público, numa gestão partilhada com a Câmara Municipal de Lagos, entidade com a qual já estabelecemos contacto e se demonstrou interessada”, referiu a coordenadora da fundação, Maria Rita Pereira.

Segundo a vereadora da Câmara de Lagos com o pelouro da Cultura, Fernanda Afonso, o concurso para o arranjo do telhado do núcleo museológico, previsto para agosto do ano passado, ainda aguarda visto do Tribunal de Contas, prevendo-se que as obras tenham início depois deste verão.

O espaço, que neste momento não pode ser visitado, por razões de segurança, é apontado pela autarquia como sendo “importantíssimo para a cidade de Lagos, uma vez que alberga uma coleção de locomotivas, datadas dos séculos XIX e XX, que são exemplares únicos no país”.

Segundo a vereadora Fernanda Afonso, está a ser analisada a hipótese de ser celebrado um protocolo entre a fundação e o município que estabeleça os termos de uma colaboração para a “abertura, divulgação e promoção do equipamento”.

O núcleo contém locomotivas, utensílios de reparação da via-férrea, faróis, lanternas, telefones, marcadeiras de bilhetes, entre outros, e ainda vários apetrechos marítimos retirados dos barcos que faziam a ligação entre Lisboa e o Barreiro.

Atualmente não existe nenhum núcleo do Museu Nacional Ferroviário a funcionar a sul do Entroncamento.

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