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Fundada há trinta anos pela Câmara de Faro, a banda chegou a ter um espaço onde apresentava pequenos concertos, mas agora até para ensaiar recorre a salas cedidas por outras instituições, como o Instituto Português da Juventude.

Formada por pessoas de todo o tipo de profissões e idades – dos 13 aos 60 anos -, os músicos da banda estão entusiasmados com o desafio para integrar as 200 filarmónicas que tocarão o hino nacional em uníssono.

Enquanto afinam os instrumentos para o ensaio vão trocando palavras e gargalhadas cúmplices, mas assim que o maestro levanta os braços para dirigi-los, os semblantes descontraídos revelam-se compenetrados.

A presidente da Filarmónica de Faro, Ana Maria André, contou à Lusa como o convite para as comemorações do centenário da República está a ser importante para os motivar, já que o futuro da banda é tudo menos certo.

“Temos músicos que acham que isto não tem pernas para andar”, diz, sublinhando que alguns se mudaram para outras filarmónicas onde se sentem “mais confiantes” por gozarem de maior estabilidade financeira.

Para Ana Maria, estas oportunidades dão-lhes alento para pensar que pode ser desta que vão ficar “mais conhecidos” e que passem a ser mais solicitados, já que o funcionamento da Filarmónica tem dependido da “boa vontade” dos professores.

“Muitos deles chegam a ter ordenados em atraso durante dois meses”, diz a presidente da associação que gere a banda, onde tocam menos de 30 músicos, e uma escola de música, que conta com cerca de 60 alunos.

Outro dos problemas que enfrentam todos os meses é o pagamento da renda, uma vez que não têm sede própria, mas a Câmara de Faro, apesar de ter renovado o protocolo, tem dado “mais apoio moral do que material”.

“Neste momento a Câmara deve-nos alguns milhares de euros”, revela Ana Maria André, cujas reivindicações por uma sede própria – estão há dez anos em instalações provisórias, parecem por enquanto não ter resultados.

São as aulas da escola de música da associação que também lhe vão permitindo alguma autonomia financeira, mas todos os meses a luta recomeça.

Lusa

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