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Aquele encontro de formação e partilha para os cursistas algarvios contou com a participação do diácono Luís Galante que baseou a sua intervenção na recente visita do Papa a Portugal. Aos muitos cursistas presentes começou por concordar com Bento XVI na referência feita à República, sublinhando que as perseguições de há cem anos contra a Igreja, acabaram por ser um bem, que ajudou a Igreja a purificar-se.

Luís Galante considerou também que “o homem de hoje precisa de curar as suas doenças espirituais, a ausência de Deus e de se converter ao Evangelho” e garantiu que o MCC ajuda a atingir esse objectivo.

Destacando a importância da Doutrina Social da Igreja (DSI), lamentou o seu desconhecimento por parte de muitos cristãos. “Muitos dos problemas sociais que hoje enfrentamos encontrariam resposta, explicação e solução na DSI, mas nós, católicos, somos os primeiros a desconhecê-la”, afirmou, considerando que “há uma necessidade dos católicos conheceram a DSI para viverem, transmitirem e praticarem esses ensinamentos”. “Esse estudo é muito importante para melhor viver os ambientes profissionais, laborais”, complementou.

Por outro lado, criticou haver dois “tipos de cristãos” na área da intervenção social: “os muito empenhados no movimento social em defesa dos trabalhadores, dos desempregados e das causas sociais, no desenvolvimento económico-social, nas liberdades cívicas fundamentais, nos direitos fundamentais da defesa humana, mas que, quando se trata do aborto, da eutanásia, da droga, dos casamentos homossexuais e de outras realidades fracturantes, nunca abrem a boca e os que, ao contrário, quando se trata destas últimas realidades são os primeiros a falar, mas quando estão em causa as primeiras estão caladinhos”. “A atitude do cristão deve ser a de não ter complexo de hoje estar com a esquerda para defender a justiça social e amanhã com a direita para defender a vida humana”, defendeu.

O diácono Luís Galante defendeu ainda ser “fundamental que as várias dioceses de Portugal apostem em oferecer a todos os cristãos uma (re)iniciação cristã”: “catecumenado de adultos para aqueles que não são baptizados” ou uma “catequese de reiniciação para aqueles que, sendo baptizados, nunca vivenciaram verdadeiramente a vida cristã”.

Na sua intervenção chamou a atenção dos cursistas algarvios para a importância da evangelização dos ambientes e meios humanos através dos leigos.

O Bispo do Algarve, também presente, agradeceu aos cursistas pelo seu serviço e testemunho. “Estou grato por todo o bem que Deus, através de vós, realiza na nossa Igreja diocesana”, disse, acrescentando que continua a contar com os cursistas e com o MCC e que espera muito do movimento.

Por outro lado, D. Manuel Quintas advertiu que “não participar nas ultreias é meter «entre parêntesis» a experiência do Curso de Cristandade”. “Ao nível da fé e da vivência cristã pode haver um princípio mas não há um fim”, complementou.

O prelado adiantou que a Igreja em Portugal quer que se reflicta sobre a mensagem do Papa, de forma a “repensar a acção pastoral”. “Queremos que os movimentos vivam aquilo que o Papa disse e se sintam mais Igreja”, salientou D. Manuel Quintas, considerando que o MCC “tem em si a força do Espírito, mas é preciso não deixar que ele esmoreça”. “Gostaria que esta ultreia ajudasse a reacender esse fogo dentro de vós”, exortou.

D. Manuel Quintas, concordando com Luís Galante, reconheceu que a DSI continua a ser um “tesouro desconhecido” e, por isso, lamentou que se continuem a organizar cursos naquela área sem haver a adesão que deveria haver.

O encontro terminou com a celebração da Eucaristia presidida pelo Bispo do Algarve no salão daquele Centro Paroquial e Social.

Samuel Mendonça

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