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A detenção ocorreu na passada sexta-feira e, de acordo com o comandante Cruz Martins, da capitania do porto de Portimão, “é a primeira vez que há conhecimento de uma situação destas no Algarve e provavelmente em todo o país”.

Depois de algumas semanas de investigação e de vários indícios que foram surgindo, a Polícia Marítima descobriu a extração ilegal de coral ao largo do Algarve, em águas profundas, por seis pessoas, três de nacionalidade portuguesa e outras três de nacionalidade espanhola.

Os suspeitos, que foram constituídos arguidos, estavam a operar uma embarcação espanhola que “tinha uma câmara hiperbárica e equipamento sofisticado que permitia mergulho a profundidades” de 90 metros, e duas embarcações portuguesas.

“Fizemos uma abordagem a estes indivíduos e efetivamente apreendemos 32 quilos de coral vermelho, que é uma espécie protegida” disse Cruz Martins. De acordo com o comandante, este é um dos tipos de coral que se encontra em extinção e que é utilizado no fabrico de joias.

“Segundo informação que temos, atinge em bruto preços na ordem dos 1000 euros por quilo e, depois de trabalhado, valores na casa dos 20 a 30 mil euros”, acrescentou.

O coral vermelho é um ser vivo com um crescimento muito lento, de cerca de um centímetro por cada 10 anos, “o que significa que os corais apreendidos têm várias centenas de anos”.

O comandante Cruz Martins realçou ainda que as autoridades marítimas não vão “tolerar este tipo de depredação de recursos, que no fundo, são recursos do país”, apesar de a investigação e a detenção em casos como estes não ser fácil.

“Não é simples, porque é muito fácil, quando estão a fazer esta extração, livrarem-se dos corais. Basta uma abordagem numa situação normal da Polícia Marítima e estes indivíduos rapidamente largam os corais, eles vão para o fundo e não há meio de prova, embora tenham destruído os corais à mesma”, salientou.

Liliana Lourencinho com Lusa

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