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Sob o lema “Família, acredita no que és! Semeia a esperança!”, a jornada foi celebrada em Loulé, no Centro Social e Paroquial, em pleno Dia Mundial da Família, com a participação de cerca de 260 pessoas, tendo início com o acolhimento, seguindo-se a oração de abertura.

Um dos pontos altos do dia foi a intervenção do padre Vítor Feytor Pinto, subordinada ao tema “Desafios da sociedade actual à família cristã”, enquanto as crianças, os adolescentes e os jovens até aos 17 anos estiveram integrados num grupo orientado respectivamente pelo Movimento dos Focolares, pelo Sector Diocesano da Catequese da Infância e Adolescência e pelo Sector Diocesano da Pastoral Juvenil, com um programa adequado às três fases etárias que visou a elaboração de intervenções a apresentar no convívio que se seguiu ao almoço.

À tarde, as famílias concentraram-se junto à igreja de São Sebastião de onde iniciaram a caminhada até ao Santuário de Nossa Senhora da Piedade (Mãe Soberana) numa manifestação pública de fé que incluiu alguns slogans entoados pelos participantes ao longo do percurso que teve três paragens para leitura de textos de reflexão e para a actuação de um grupo de jovens e adolescentes provenientes da paróquia de Vila do Bispo.

Já na igreja do Santuário foi celebrada Eucaristia, sob a presidência do Bispo do Algarve.

Em pleno domingo da Ascensão, D. Manuel Quintas exortou os casais com base no lema do dia. “Família, acredita no que és! Semeia a esperança! Mesmo que para tal seja necessário remar contra a corrente”, apelou o prelado, acrescentando que, “nos dias de hoje, não devemos ter medo de sermos poucos a acreditar na família”.

O Bispo do Algarve criticou vivermos um tempo em que se “banalizou o amor, reduzindo-o a uma realidade efémera, passageira e superficial”. “Um amor descomprometido fragiliza a instituição familiar e torna provisório o vínculo matrimonial”, advertiu, lamentando que se recorra à “ruptura do matrimónio” como uma “ameaça sempre à mão e muitas vezes como a primeira opção para resolver as dificuldades, mesmo as mais mesquinhas da vida quotidiana”. “Esta mentalidade fragiliza a vida de muitos casais que apesar do seu esforço e vontade não conseguem crescer no amor e viver com fidelidade os ideais que Deus propõe”, disse, lembrando que “a realização da vocação matrimonial exige um esforço mútuo para ultrapassar as dificuldades, divergências e problemas que a vida, com os seus imprevistos, coloca”.

“Cristo é sempre a fonte da nossa esperança. Quando dizemos semeia a esperança queremos dizer semeia Cristo”, afirmou, recordando que “o casal cristão testemunha com a sua doação sem limites e com a sua entrega total o amor de Deus pela humanidade manifestado em Cristo Jesus”.

Sublinhando que “a Igreja tem consciência de que o matrimónio e a família constituem um dos bens mais preciosos da humanidade”, deixou um apelo aos cristãos presentes. “Gostaria que todos nós, como Igreja que somos, diante dos casais que vivem ou já viveram essa ruptura, manifestássemos uma atitude de compreensão e acolhimento. Ninguém deveria sentir-se excluído da Igreja e do amor de Deus, mesmo que tenha de viver a comunhão na Igreja de maneira diferente porque a sua situação é diferente”, pediu, lamentando que, por não se aceitar esta diferença, tantas vezes tantos se sintam “destituídos pela própria Igreja”.

Citando a exortação apostólica ‘Familiaris Consortio’, do Papa João Paulo II, D. Manuel Quintas evidenciou que “a fidelidade familiar só pode ser preservada e aperfeiçoada através de um esforço quotidiano de todos os membros da família”. “Exige de todos e de cada um a generosidade, a disponibilidade para partilhar, a compreensão e tolerância, o perdão, a contínua abertura à reconciliação, à solidariedade na ajuda mútua, a fidelidade às pessoas e ao projecto comum, o respeito pela vida e dignidade de cada elemento que integra a comunidade familiar, a intimidade construída na ternura e na doação”, afirmou.

Quase a terminar lembrou que “a sociedade de que nos empenhamos em construir será sempre reflexo da família que somos”. “Muitas das dificuldades que atravessa hoje a sociedade devem-se às dificuldades das próprias famílias”, lamentou, advertindo que “destruir a família é destruir a própria sociedade”.
No fim, exortou as famílias a “encarar o futuro com esperança e confiança”, “conservar os valores perenes” e “continuar a desempenhar com fidelidade a sua missão na Igreja e no mundo”.
Na Eucaristia, os casais presentes renovaram as promessas matrimoniais e os filhos foram realizaram promessas filiais.

No final da celebração foi realizada a bênção de 7 casais que celebravam jubileus matrimoniais de 25 e 50 anos.

Apesar da participação de famílias de vários pontos do Algarve, foi notória a ausência de muitas paróquias algarvias, bem como de uma significativa representação dos movimentos e carismas de expressão familiar com presença na diocese algarvia.

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