O bispo do Algarve alertou hoje na celebração do Dia Mundial do Doente que “uma comunidade cristã – e uma sociedade justa – mede-se pela forma como cuida dos mais frágeis”.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Partindo da parábola bíblica do ‘bom samaritano’, na qual um homem, ao contrário de outros que passam, interrompe o seu caminho para assistir um desconhecido, caído à beira da estrada, que foi “assaltado, espancado, deixado meio morto”, trata dele e leva-o para uma hospedaria e paga para que seja cuidado, D. Manuel Quintas realçou que “hoje, a compaixão tem também uma dimensão social”. “Não é apenas uma virtude individual, é um critério para organizar a sociedade”, frisou na Eucaristia a que presidiu ao final da manhã de hoje no hospital de Faro com doentes e profissionais da saúde.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

“Quando faltam meios, quando os profissionais trabalham no limite, quando os doentes esperam respostas que tardam, a parábola interpela-nos a todos. Não para acusar, mas para despertar”, prosseguiu, acrescentando que “a saúde não é apenas um problema técnico”, mas “uma questão de humanidade”.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O bispo diocesano evidenciou que naquela unidade hospitalar aquela parábola “ganha um rosto muito concreto”. “Quantos «caídos à beira do caminho» entram diariamente pelas suas portas, estão nas suas enfermarias, são assistidos nas suas camas? Quantos carregam dores físicas, medos, angústias, solidão? Quantos vivem a doença como uma experiência de vulnerabilidade profunda?”, interrogou.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

D. Manuel Quintas disse ainda haver “outros «feridos»”: os “profissionais de saúde sobrecarregados, cansados, pressionados por tantas limitações, inclusivamente estruturais, por vezes com escassos recursos, que procuram suprir essas limitações dando o melhor de si mesmos” e também “famílias angustiadas”. “Todos gostaríamos que a saúde fosse melhor, que desse uma resposta mais adequada, apesar de todo o esforço que se faz de maneira generosa”, constatou.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O bispo do Algarve dirigiu-se depois aos doentes e aos profissionais de saúde. “Nunca sois um número, nem um processo clínico, nem uma estatística. Sois filhos amados de Deus. A vossa fragilidade não diminui a vossa dignidade. Pelo contrário, lembra-nos a todos o que é essencial: precisamos uns dos outros”, disse aos primeiros.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Aos profissionais de saúde disse-lhes que a sua missão “é profundamente samaritana”. “Mesmo no cansaço, mesmo na frustração, mesmo quando sentis que não conseguis dar tudo o que gostaríeis, cada gesto de cuidado é uma forma de se inclinar sobre o doente e nele sobre Cristo sofredor, à luz da fé”, declarou, lembrando que “o hospital pode tornar-se um lugar de desumanização”, “mas pode também tornar-se um lugar sagrado, onde cada quarto é como a hospedaria da parábola, onde se continua nos dias de hoje a obra do Samaritano”.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

A todos os presentes, o bispo do Algarve lembrou que compaixão “não se trata apenas de sentir pena”. “Trata-se de deixar que a dor do outro me toque por dentro, me desinstale, me mobilize, me aproxime”, afirmou, acrescentando que “a compaixão é a característica distintiva do amor ativo”. “Não é teórica nem sentimental, mas traduz-se em gestos concretos. A compaixão é concreta. Não é teoria. Tem gestos. Tem tempo. Tem custos”, sustentou.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Citando a mensagem do Papa Leão XIV para este Dia Mundial do Doente, D. Manuel Quintas alertou para o perigo de não ter compaixão pelo próximo. “Vivemos imersos na cultura do efémero, do imediato, da pressa, bem como do descarte e da indiferença, que impede de nos aproximarmos e pararmos no caminho, para olhar as necessidades e os sofrimentos à nossa volta”, citou.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O bispo do Algarve desejou, pelo contrário, “uma Igreja em saída, que caminha pelas estradas do mundo e, sobretudo, que não passa ao largo” e “uma sociedade que não se acomode, indiferente, ao sofrimento dos mais frágeis”.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Na celebração foi ainda administrado o sacramento da Unção a oito doentes.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

A Eucaristia, concelebrada pelos padres Luís Gonzaga, capelão daquela unidade hospitalar, Getúlio Bica, Samuel Camacho e Rui Guerreiro e servida pelo diácono Luís Galante, contou com a presença do pastor Rodrigo Sequeira, representante da Comunidade Nova Aliança, pertencente à Aliança Evangélica Portuguesa, que também presta serviço naquele hospital aos doentes da sua Igreja, e do presidente do Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde do Algarve, Tiago Botelho da Silva, e demais administradores.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo