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Dificuldades de escoamento e alterações climáticas preocupam apicultura algarvia

As dificuldades de escoamento e os preços baixos pagos à produção, a pouca organização coletiva no setor e o impacto das alterações climáticas são desafios com que se confronta a apicultura no Algarve, disse o diretor regional de Agricultura.

Por ocasião do XII Encontro Regional de Apicultura, realizado ontem na sede do organismo público, perto de Faro, o diretor regional de Agricultura e Pesca do Algarve, Pedro Monteiro, falou à agência Lusa das principais dificuldades do setor de produção de mel e apontou possíveis caminhos para melhorar a vida dos apicultores regionais.

Pedro Monteiro disse que a apicultura tem “anos melhores e piores” e que os produtores do Algarve estão “a atravessar um ano menos bom, com problemas em termos de escoamento da produção, do baixo valor que está a ser praticado junto à produção na venda por quilograma”.

A mesma fonte argumentou que um “mercado mais global” e um aumento do mel importado de “mercados asiáticos”, com uma “qualidade menor”, estão a aumentar a oferta, dificultando o escoamento e baixando o preço, e isso levou a organização do encontro a querer abordar “questões ligadas à comercialização e à organização do setor”, mas sem esquecer outras que “cada vez mais poderão ter impacto severo negativo no setor”.

Pedro Monteiro apontou as “alterações climáticas” e algumas das suas consequências – “incêndios” e “seca” – como exemplos dos “cada vez maiores constrangimentos à atividade apícola” e considerou que o setor tem que “estar alerta e preparado” para proteger um inseto “fundamental para a vida” e para “a biodiversidade”.

“Há uma importância e necessidade urgente de o setor ganhar peso e dimensão e se organizar”, afirmou o diretor regional de Agricultura e Pescas do Algarve, considerando que “faltam organizações de produtores de mel” e elas “têm de nascer da vontade dos próprios” produtores, que ainda não convergiram nesse sentido.

Isto permitiria “agregar produção e ganhos na comercialização, aumentando escala, apostando nas questões de marca, embalamento e ‘marketing’ e criando denominações de origem para construir uma marca ligada ao mel do Algarve” e “dar um salto qualitativo na cadeia de valor”, sustentou.

Questionado sobre a ameaça da vespa asiática, espécie invasora que foi detetada inicialmente no norte de Portugal e já foi identificada em Lisboa, o diretor regional disse já ter havido “alguns episódios relatados de supostos avistamentos” no Algarve, mas garantiu que, “na visita ao local, felizmente não se confirmaram”, embora a direção regional já esteja a antever essa possibilidade.

“É algo inexorável e não tenho dúvidas que, mais tarde ou mais cedo, vai chegar [ao Algarve]”, acrescentou Pedro Monteiro, frisando que “interessa ter mecanismos já instalados e articulados entre as diversas entidades no terreno para, quando for detetado um caso, ser logo combatido e debelado de forma rápida e eficaz”.

O Algarve é a “região do país com maior número de apicultores profissionais – o que tem mais de 150 colmeias – e onde o número de apiários por apicultor é mais elevado”, mas onde o setor continua “muito mal organizado”, porque ainda ”não deu o salto na cadeia de valor para ter produto de maior valor acrescentado” e tem cada vez mais “dificuldades na componente ambiental, de seca e incêndios”, alertou.

“O Algarve é vulnerável ao impacto das alterações climáticas e tem que começar a trabalhar seriamente nas questões ligadas à mitigação e combate”, afirmou, defendendo “a reflorestação com espécies autóctones e mais resilientes” e uma “poupança e gestão mais eficiente” para criar uma “economia circular na água” como contributos para esbater estes problemas.

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