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Caminho_santiagoA Diocese do Algarve iniciou uma colaboração com a Associação Espaço Jacobeus com vista ao reconhecimento do Caminho Central Português para Santiago desde Faro.

A delegação de Faro daquela Associação Católica Portuguesa Privada de Fiéis iniciou o mês passado um trabalho de reconhecimento do percurso desde os concelhos de Faro e Loulé daquela histórica via de peregrinação para Santiago de Compostela, na Galiza, em Espanha.

O trabalho voluntário que foi iniciado nos dois concelhos algarvios visa também a marcação do percurso que se deverá estender até Almodôvar, unindo o sul ao norte do país, passando por Castro Verde, Santiago do Cacém, Alcácer do Sal, Palmela e Lisboa.

Em janeiro passado, o grupo de trabalho que reuniu peregrinos de diversos pontos do Algarve na ermida de São Luís, em Faro, analisou a primeira etapa (Faro – Loulé) do Caminho de Santiago. Após três dias de caminhadas foi identificado um percurso que será testado no próximo dia 20 deste mês na peregrinação jubilar do Seminário de Faro ao Santuário de Nossa Senhora da Piedade, popularmente evocada como Mãe Soberana, em Loulé.

No final do reconhecimento de Faro a Almodôvar será elaborado um mapa com pedido de autorização às autarquias para a sinalização do percurso a ser identificado com as conhecidas setas amarelas e vieiras que fazem parte do património material do Caminho de Santiago. A Diocese do Algarve ficará incumbida de carimbar as credenciais e os passaportes dos peregrinos, bem como de realizar a sua bênção caso o solicitem.

A associação considera esta uma “oportunidade muito importante para garantir a idoneidade da tentativa de integração sócio-cultural do Algarve com o resto da Península Ibérica, à luz desta forte tradição cristã comum e que se vê quase extinta no sul do país, mas também para que, de um modo particular, este percurso seja Caminho de Santiago, «portal de conversão» onde se diz que Deus engoda muito nos corações…, e não apenas mais um percurso de turismo de natureza”.

A organização diz ainda que “o início do percurso em Faro justifica-se pelo seu estatuto de capitalidade regional, mas também pela dimensão histórica da cidade, conquistada aos muçulmanos por D. Paio Peres Correia, mestre da Ordem de Santiago” tão presente na região algarvia. “Em 1540, com a elevação de Faro a Cidade, e em 1577 com a mudança do assento episcopal de Silves para Faro, a igreja de Santa Maria passou a Sé, e a Ordem de Santiago deverá ter sido mudada para a igreja de São Pedro, onde ainda está presente na espada flordelisada da Ordem de Santiago, decorada com a tiara papal de São Pedro [que se pode admirar nos púlpitos]”, refere a organização.

Já a passagem por Loulé tem como justificação a “associação da igreja matriz de São Clemente à simbologia de São Tiago Apóstolo, especificamente ao culto de Nossa Senhora do Pilar, a primeira aparição mariana registada desde o início dos séculos, aparição essa a São Tiago, filho do Trovão, enquanto ele estava na Península Ibérica”. “Em Loulé, marca a Porta de Faro, pela qual se «transitava» em ronda, entre as duas cidades. E desde Loulé a Querença, onde o brasão da Junta de Freguesia exibia a Espada de Santiago”, acrescenta a associação, lembrando ainda que “a presença de São Tiago no Sul de Portugal está intimamente ligada ao mito fundador da célebre vitória da Ordem Militar de Santiago na Batalha de Ourique, e antes disso na Batalha de Clavijo, impulsionada pela aparição de Jesus e São Tiago, respetivamente dando alento aos cavaleiros para conquistar o território aos muçulmanos”.

A colaboração da Diocese do Algarve com a Associação Espaço Jacobeus passa ainda pela cedência de informação, nomeadamente de evidências históricas, arquitetónicas e decorativas que ajudem a melhor fundamentar os detalhes da recomposição do percurso em causa, seja com base nas visitações da Ordem de Santiago a Loulé e Faro, como na passagem de peregrinos dirigidos a Santiago. Em cima da mesa está ainda articular uma cooperação com a Pastoral do Turismo e a Pastoral Juvenil da diocese algarvia para entreajuda nas atividades de peregrinação a pé que possam utilizar os corredores a sinalizar como Caminho de Santiago, quer seja na peregrinação à Mãe Soberana ou a Fátima, para além da peregrinação a Santiago de Compostela.

A apresentação do percurso a recuperar prevê-se que possa ser feita em Faro em início de julho deste ano com a participação de oradores especializados no Caminho Português de Santiago. No âmbito dessa apresentação seria feita a marcação simbólica do trajeto pelas entidades responsáveis.

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