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Diocese do Algarve quer que leigos ajudem a humanizar mais as celebrações fúnebres

Da humanização ao transcendente

Aos 32 elementos (22 homens e 10 mulheres), oriundos das paróquias de Albufeira, Alcoutim, Cachopo, Mexilhoeira Grande, Olhão, Quelfes, São Brás de Alportel, Salir, Santa Catarina da Fonte do Bispo, São Luís de Faro, Silves e Tavira, foi-lhes explicado que a Igreja do Algarve pretende que o seu serviço, prestado em nome da e para a comunidade cristã, conduza os destinatários daquela missão a um encontro com Deus, mas parta em primeiro lugar da identificação com o momento de dor e sofrimento.

Neste sentido, o padre Dinis Faísca, primeiro conferencista do dia que abordou o tema ‘A pessoa humana e o drama da morte’, apresentou o itinerário espiritual que deve ser feito na celebração das exéquias com base em aspectos humanos, que devem servir de base às dimensões teológica ou eclesiológica e por isso tidos muito em conta.

O sacerdote começou por afirmar que o serviço dos ministros das exéquias deve ser uma “presença positiva, útil e que ajude as pessoas” a viver o momento da morte “de forma o mais saudável possível”, “porque ele é doloroso mas não deve ser dramático”. E defendeu que “não se deve minimizar a perda de um ente querido”, até porque “nunca estamos preparados para a morte”.

O sacerdote defendeu que o ministro das exéquias deverá dirigir-se à família “para chegar às pessoas e só depois explicar as razões da fé”. O padre Dinis Faísca exortou à necessidade de “alimentar a esperança da eternidade”, mas só depois das anteriores condições estarem garantidas. Neste contexto defendeu que é preciso “mostrar-se compreensivo e identificar-se com a pessoa”. Advogou ainda, no contexto exequial, a normalização da dor para que as pessoas não se sintam estranhas por estar a sofrer. “Só sofre quem ama. Anular o sofrimento é anular o amor. Se sofrem é sinal que amaram”, justificou.

Serviço e corresponsabilidade

A Diocese do Algarve apontou o sentido do ministério das exéquias, partindo da legitimidade e origem dos ministérios na Igreja que foram contextualizados, enquadrados e justificados. O padre Joaquim Nunes, referindo-se ao tema ‘Os ministérios na Igreja’, começou por esclarecer que o termo ministro, em contexto eclesial, significa alguém que desempenha um “serviço em favor de outros”, contrariamente ao sentido atribuído fora da Igreja que designa “autoridade e poder”. “Um serviço que nasce da comunidade cristã e da Igreja e se orienta para o bem da Igreja e dos outros”, justificou.

“Aquilo que irão realizar só tem sentido se for um serviço à Igreja e expressão da Igreja”, reforçou também o padre Carlos de Aquino, que se deteve na abordagem ao tema ‘Igreja, mistério de comunhão’. O mesmo orador, que se deteve ainda na apresentação do tema ‘Liturgia, celebração do mistério para a vida’, confirmou que a origem do termo liturgia significa “acção em nome do povo”. “Serviço prestado para o povo e que parta do povo”, acrescentou, lembrando que “liturgia é serviço de Deus, mas também é acção dos homens e deve levar à santificação”.

Outras das dimensões sublinhadas foi a de que o ministério, como acontece com os outros, é suscitado por Deus, através do Espírito Santo. O padre Joaquim Nunes, que abordou o tema ‘Ministérios na Igreja’, sublinhou que “o Espírito Santo distribui os carismas e dons conforme a utilidade para a Igreja”, suscitando-os conforme a necessidade desta. “Não é para conveniência de A, B ou C, mas para o bem da Igreja”, disse, identificando a Igreja como um “corpo que tem muitos membros”. “Membros diversos mas membros uns dos outros, com igual dignidade e vocação e corresponsáveis na missão da Igreja”, complementou, justificando este aspeto como uma das implicações que decorre do Batismo. “Todos, são chamados a contribuírem para o crescimento de contínua santificação da Igreja”, complementou, acrescentando que “tudo o que os leigos fazem na Igreja fazem-no por legítimo direito de participação” na sua missão salvadora.

O sacerdote explicou ainda que os ministérios laicais e o sacerdócio se “diferenciam e ordenam mutuamente um para o outro”. “Um e outro participam a seu modo do único sacerdote: Cristo”, disse, defendendo a “comunhão entre a hierarquia e o laicado”.

Renovação mas a mesma identidade e unidade

O padre Carlos de Aquino sublinhou a “urgência” de a Igreja ser hoje “acreditada” e ressalvou que a comunidade cristã poderá “renovar metodologias, estruturas e dinâmicas, mas a identidade é a mesma”. Neste sentido defendeu uma “Igreja atenta ao ritmo do tempo”, mas sem ter de se adaptar ao tempo. “A identidade da Igreja não é uma moda e por isso não temos de nos adaptar. Devemos antes saber ler os sinais dos tempos”, distinguiu.

A terminar, afirmou que “a Igreja tem como missão unificar a unidade na diversidade, o que não significa uniformidade”.

Na sua segunda intervenção, o padre Carlos de Aquino lamentou que haja padres no Algarve que presidem a exéquias sem a leitura da Palavra de Deus e alertou que “os gestos e as palavras são significativos na liturgia e têm de ser verdadeiros”.

A formação agora iniciada surge na sequência do decreto assinado recentemente pelo Bispo do Algarve que regulamenta as celebrações das exéquias fúnebres orientadas por um leigo.

Os candidatos propostos pelos párocos para ministros das exéquias serão agora avaliados pelos próprios priores, pelo Departamento de Liturgia da Diocese do Algarve e pelo Bispo diocesano. Alguns deles poderão eventualmente não chegar a ser mandatados para exercer a missão, confirmou à FOLHA DO DOMINGO o padre Carlos de Aquino.

No dia 27, os temas serão ‘A morte e a vida na Sagrada Escritura’, pelo padre Mário de Sousa, ‘O sentido redentor do sofrimento e da morte’, pelo padre José Águas, ‘O Ritual das Exéquias’ e ‘Propostas pastorais para a Celebração das Exéquias’, ambos pelo cónego José Pedro Martins.

Samuel Mendonça

Veja também: "Igreja do Algarve quer aproveitar melhor as celebrações fúnebres para evangelizar" 

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