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A Diocese do Algarve realizou ontem à noite a primeira Via-Sacra, presidida pelo bispo do Algarve, de um conjunto que se repetirá durante todas as sextas-feiras da Quaresma, até ao dia 2 de abril, com transmissão nas redes sociais da Diocese do Algarve, do jornal Folha do Domingo e da Mais Algarve a partir da capela do Seminário de São José, em Faro.

As meditações e orações da Via-Sacra de ontem resultaram da “reflexão orante de sete cristãos” da comunidade diocesana algarvia, alguns deles curados da infeção da Covid-19 e outros familiares de pessoas que passaram por essa mesma situação. “São, por isso, meditações que refletem o flagelo desta pandemia a partir da experiência real e pessoal de quem as viveu”, explicou-se no início da celebração.

O bispo do Algarve lembrou que a iniciativa procurou percorrer “os passos da vida dolorosa de Jesus”, iluminando também “os passos dolorosos da vida da humanidade”. “Estivemos particularmente unidos àqueles que são e foram vítimas desta pandemia, mas recuperaram. E tivemos presente, de maneira particular, aqueles que faleceram e os seus familiares”, desenvolveu.

O bispo diocesano afirmou que “cada uma das estações da Via-Sacra teve o contributo de pessoas que passaram por esta experiência dolorosa e, por isso, a sua meditação brotava do fundo do seu coração, iluminada também pela fé, pela luz pascal de Cristo ressuscitado” e agradeceu “àqueles que se dispuseram a dar o seu testemunho do que foi para eles a sua «Via-Sacra»”.

D. Manuel Quintas exortou ainda ao envolvimento na cadeia de oração pelas vítimas da pandemia que está a decorrer desde a Quarta-feira de Cinzas, promovida pelas Conferências Episcopais da Europa, e que se prolongará durante todo o tempo da Quaresma.

O bispo do Algarve ressalvou que os participantes “não são apenas os países da União Europeia”, mas “todos os países da Europa” e lembrou que a iniciativa é realizada em união com o Papa Francisco. “Distribuíram um dia para cada país. Portugal será no dia 16 de março. Certamente que recebereis indicações sobre o modo como, nesse dia, vamos também nós participar nesta cadeia de oração”, afirmou.

D. Manuel Quintas desejou que a Quaresma possa ser “proveitosa para todos” e, sobretudo, possa ajudar a uma “conversão sincera e profunda”, a “tirar algo positivo daquilo que parece ser tão negativo e tão nefasto” e a “reequacionar” a vida e a “fazer uma hierarquia de valores” na vida pessoal, tanto na família como no trabalho ou com os amigos, nas “diferentes situações e relações”. “É importante sabermos ler a ação de Deus que nos conduz no meio das tormentas da vida, nomeadamente nesta tormenta”, advertiu.

A programação da caminhada quaresmal, sob a presidência do bispo do Algarve, terá continuidade já amanhã, com a eucaristia dominical às 11h, e a oração de vésperas, pelas 17h, seguida de catequese quaresmal sobre o tema “Viver a partir de Cristo”. Na próxima sexta-feira (26 de fevereiro), voltará a ser realizada a Via-Sacra com meditações feitas por profissionais de saúde.

A Via-Sacra consiste em acompanhar espiritualmente o trajeto que Jesus percorreu até à morte, sepultura e ressurreição, com momentos de meditação e oração ao longo de 14 estações.

A Quaresma é um tempo de 40 dias que se inicia com a celebração das Cinzas (este ano a 17 de fevereiro), marcado por apelos ao jejum, partilha e penitência, que serve de preparação para a Páscoa, a principal festa do calendário cristão, no próximo dia 4 de abril.

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