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Recorde-se que Folha do Domingo publicou no passado dia 4 deste mês uma notícia na qual denunciava a continuação desta situação relacionada com o ensino da disciplina de EMRC no Algarve, não tendo obtido, em tempo útil, qualquer resposta da DREA.

As irregularidades em causa, segundo o Secretariado da Pastoral Escolar da Diocese do Algarve, prendem-se com três situações que se verificam em simultâneo em relação à lecionação da disciplina no Algarve: existem casos de escolas que não atribuem horas aos professores, não havendo lecionação de EMRC; existem escolas que atribuem as horas aos professores e estes estão a ser remunerados; e, outros casos ainda, em que as horas foram atribuídas aos docentes mas estes não recebem qualquer remuneração.

Através de e-mail, posteriormente enviado à nossa redação, chega agora a réplica assinada pelo diretor regional de Educação do Algarve, Alberto Almeida, que não responde às perguntas formuladas por Folha do Domingo, uma vez que questionámos a DREA se tinha conhecimento das situações denunciadas e se o Secretariado Diocesano da Pastoral Escolar (SDPE) e algumas escolas já tinham solicitado esclarecimentos sobre esse assunto e qual a resposta dada.

O SDPE já garantiu ao Folha do Domingo que a resposta agora enviada pela DREA ao nosso jornal é a mesma que é dada, há anos, àquele organismo da Igreja Católica algarvia que lamenta a inércia na resolução deste impasse.

Anabela Nobre, professora destacada para a equipa do Secretariado Nacional de Educação Cristã, concretamente para o primeiro ciclo, e membro do Secretariado Diocesano da Pastoral Escolar, considera mesmo que a DREA está bloquear a situação, evitando que seja lecionada a disciplina de EMRC. “A lei é clara quando diz que a disciplina é de oferta obrigatória. O problema é que DREA bloqueia o sistema e remete os pedidos de esclarecimento para o Ministério da Educação que nunca responde”, relata aquela responsável, garantindo que o “duplo bloqueio” dura há três anos.

Anabela Nobre testemunha ainda existirem situações no Algarve em que os párocos dispõem alguém para lecionar a disciplina, sendo-lhes conferido esse direito, e, porque a DREA diz aguardar resposta de instâncias superiores, o professor não pode ser colocado na escola.

A professora adianta também que os casos de professores que estão a lecionar a disciplina e a ser remunerados se explicam pelo facto de os mega-agrupamentos terem assumido a sua carga horária sem perguntarem à DREA se poderiam atribuir as horas.

Aquela responsável apela a uma “clarificação da lei”. “Neste momento há grande abertura do Ministério da Educação para isso”, afirma, garantindo que “o secretário de Estado já tem uma pessoa para dialogar com a Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé”, entidade da Igreja Católica para a área da educação.

Samuel Mendonça
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