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A constituição de duas brigadas para reforçar o ataque inicial a incêndios no Algarve, com 28 operacionais e oito veículos, é uma das novidades do dispositivo para este ano na região, revelou hoje o comandante operacional distrital.

As brigadas, que ficarão instaladas a sotavento (zona leste do Algarve) e a barlavento (oeste), visam suprir os constrangimentos detetados entre a chegada ao terreno dos meios de combate inicial e dos meios de ataque ampliado, situação que no ano passado favoreceu o alastramento do grande incêndio registado em Tavira e São Brás de Alportel.

O dispositivo para a região este ano conta, durante a fase Bravo (de 15 de maio a 30 de junho), com 343 operacionais de várias forças e 88 veículos, durante a fase Charlie (de 1 de julho a 30 de setembro) com 443 elementos e 112 veículos e durante a fase Delta (a partir de 1 de outubro) com 279 elementos e 76 viaturas.

Aquelas brigadas deverão atuar como reforço ao ataque inicial, nas zonas de maior perigo florestal, antes de se ativar o ataque ampliado, explicou Vítor Vaz Pinto aos jornalistas à margem da apresentação pública do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Florestais de 2013.

O grande fogo ocorrido no verão passado no Algarve deflagrou na zona de Catraia, na freguesia serrana de Cachopo, Tavira, e alastrou depois ao concelho vizinho de São Brás de Alportel, tendo consumido mais de 20 mil hectares de área florestal e destruído várias habitações nos dois municípios durante os quatro dias que esteve ativo.

Admitindo que existiram "algumas dificuldades no processo", o comandante distrital de operações de socorro de Faro referiu que as dificuldades identificadas no ano passado foram inventariadas, com vista a melhorar os aspetos que correram mal, os quais não quis especificar.

"Nós podemos melhorar sempre, temos essa capacidade de analisar as situações que porventura correram menos bem, para tentar no futuro ultrapassar essas dificuldades", afirmou aos jornalistas, sublinhando que as medidas corretivas foram elencadas num documento designado "Lições aprendidas – medidas corretivas".

Vítor Vaz Pinto mostrou-se preocupado com o facto de a grande pluviosidade registada no inverno passado ter originado muita vegetação espontânea, o que pode potenciar o desenvolvimento de incêndios, mas sublinhou que o dispositivo está preparado.

"Esperamos todos que não aconteça o que aconteceu no ano passado", afirmou, argumentando que a área onde ocorreu o grande incêndio é uma zona muito vulnerável e com um histórico de incêndios de grande intensidade.

Segundo aquele responsável, em 2012 o tempo médio de ataque inicial aos incêndios registados no Algarve em 2012 ficou abaixo dos 16 minutos, sendo que 98% dos fogos (equivalentes a 787 ignições) foram resolvidos através de ataque inicial.

O número de meios aéreos para este ano vai manter-se igual ao do ano passado (três): dois de ataque inicial, estacionados em Cachopo e Monchique e disponíveis a partir de 1 de julho e 15 de maio, respetivamente, e um ataque ampliado, em Loulé.

Durante a fase de maior perigo de incêndios (Charlie), pode ainda recorrer-se a um helicóptero de ataque inicial estacionado em Ourique, no concelho de Beja, disponível a partir de 1 de julho.

O dispositivo de combate ao grande incêndio do Algarve foi dos maiores alguma vez utilizados em Portugal, tendo chegado a quase um milhar de operacionais, entre bombeiros, GNR ou do exército, que contaram com o apoio de perto de dez meios aéreos.

Lusa

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