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Na Missa da Ceia do Senhor, D. Manuel Quintas, referindo-se ao gesto do lava-pés realizado por Jesus, momentos antes da sua morte e repetido ontem por si, destacou o sentido do mesmo. “No gesto de Jesus contemplamos um Deus que se ajoelha aos pés do homem. O Criador ajoelhado aos pés da criatura. Jesus faz-se servo e realiza o que antes anunciara a respeito de si mesmo. O Senhor e mestre faz-se escravo, rompendo com todas as barreiras que dividem, catalogam e classificam as relações humanas”, sustentou o prelado, acrescentando que através daquele gesto “Jesus pretende imprimir na mente e na vida dos apóstolos, o sentido de tudo o que está para acontecer, seja na mesa da Ceia Pascal, seja na cruz erguida no Monte Calvário”.

Por outro lado, o bispo do Algarve referiu-se à reação de resistência esboçada por Pedro àquele gesto de Jesus. “Pedro esboça resistir ao amor. Deus não se defende de nós. Dá-nos a possibilidade de o rejeitarmos, de não nos deixarmos amar, mesmo sabendo que a sua misericórdia e o seu amor são maiores do que o nosso pecado”, destacou D. Manuel Quintas, considerando que “Jesus imprime, de forma indelével, a marca eucarística do amor fraterno ao gesto do lava-pés”.

A Missa Vespertina da Ceia do Senhor introduz na celebração do Tríduo Pascal, considerado o coração do ano litúrgico, o tempo particularmente significativo para toda a Igreja e para cada cristão pela celebração dos mistérios fundamentais da sua fé: a instituição da Eucaristia e do sacerdócio, a paixão, morte e ressurreição de Jesus.

“Nesta noite e nesta Eucaristia fazemos memória da Ceia Pascal do Senhor. Jesus, novo e definitivo cordeiro pascal, pela instituição da Eucaristia e pela sua entrega na cruz opera a libertação e salvação de toda a humanidade na sua passagem deste mundo para o Pai. Fazemos memória igualmente da instituição do sacerdócio com a missão de celebrar em nome de Cristo, no pão e no vinho, o memorial e o sacramento do seu corpo e do seu sangue. E fazemos memória igualmente do mandamento novo do amor, herança e distintivo dos que comungam o corpo de Cristo, dispondo-nos a amar como Jesus amou e a seguir o seu exemplo”, explicou o bispo do Algarve.

Por fim, o prelado pediu aos algarvios que se deixem “amar por Cristo” e “«lavar» por Ele”. “Ele ensina-nos a nos despirmos de tudo o que nos impede de servir os outros: preconceitos, egoísmos, comodismos. Só deixando-nos amar, como só Ele quer e sabe, é que seremos capazes de amar e servir como Ele”, sustentou. “Louvemos o Senhor pelo dom da Eucaristia e do sacerdócio. Elevemos-lhe a nossa oração confiante para que envie a toda a Igreja sacerdotes segundo o seu coração, de modo que nunca falta à sua Igreja o pão da vida e a coragem em viver e testemunhar o mandamento novo do amor”, acrescentou, exortando a um “imperativo quotidiano do serviço aos outros” como “expressão de amor fraterno no cumprimento do mandamento novo” de Jesus.

Como é hábito, no final da celebração o Santíssimo Sacramento (hóstia, a qual, depois de consagrada, passa a ser o corpo de Cristo) foi levado em procissão e colocado em lugar de destaque no interior da catedral para veneração e adoração dos fiéis por só se voltar a celebrar a Eucaristia na Vigília Pascal de Sábado Santo.

No dia de hoje, Sexta-feira Santa, aliturgico por ser o único do ano em que a Igreja não celebra a Eucaristia mas a paixão e morte de Jesus Cristo, imperam o silêncio, o jejum e a oração.

A celebração da tarde, centrada na adoração da cruz, nas igrejas com os altares desnudadas desde a noite de ontem, é uma espécie de drama em três atos: proclamação da Palavra de Deus, apresentação e adoração da cruz, comunhão eucarística.

À noite será realizada a Procissão do Enterro do Senhor. Em Faro, a mais significativa do Algarve, decorrerá pelas 21h, presidida pelo bispo do Algarve, a partir da igreja da Misericórdia, percorrendo as principais ruas da baixa da capital algarvia.

Samuel Mendonça

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