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Em 1928 já a Diocese do Algarve promovia peregrinações a Fátima.

A edição de Folha do Domingo de 22 de abril desse ano dá conta da organização de uma peregrinação de comboio com saída da estação de Portimão no dia 12 de maio pelas 7h para conseguirem estar em Fátima para os atos religiosos da noite.

A viagem, feita num “comboio especial com carruagens de 2ª e 3ª classe para conduzir directamente os peregrinos do Algarve”, levaria os algarvios até à “estação de Ceissa Ourém”, (atual apeadeiro de Seiça-Ourém) com transporte de camionete depois até Fátima.

O bispo do Algarve D. Marcelino Franco com os restantes peregrinos da segunda peregrinação da Diocese do Algarve ao Santuário de Fátima em 1928

Os bilhetes de cada passageiro custavam 180 escudos (2ª classe) e 128 escudos (3ª classe).

A viagem de ida incluía uma paragem de duas horas em Beja para visita à cidade e a de regresso, no dia 14 daquele mês, outra paragem de igual duração em Santarém. Para além destas, foram ainda feitas paragens no Algarve nas estações de Ferragudo, Estômbar, Silves, Alcantarilha, Algoz, Tunes, Messines e Saboia para recolher e deixar peregrinos algarvios. Para além destas localidades, a peregrinação incluiu ainda participantes de Albufeira, Paderne, Boliqueime, Monchique, entre outras paróquias.

Na tarde do dia 13, o programa possibilitava também a quem o desejasse a visita a Batalha, Alcobaça e Leiria.

A edição de 20 de maio daquele ano conta que o “comboio especial” partiu de Portimão com quatro carruagens num total de mais de 300 peregrinos.

“Apesar dos contratempos e incómodos da viagem voltaram todos no dia 14 optimamente impressionados com o espectáculo de fé e devoção à Virgem que lhes foi dado contemplar. A multidão, que se compunha de pessoas de todas as províncias, dando nos jornais conta de muitos nomes de individualidades em destaque pela sua cultura e posição social, elevava-se, segundo os cálculos mais baixos, a um número superior a 300.000”, relatava aquela edição de Folha do Domingo.

As peregrinações dos católicos algarvios a Fátima prosseguiram nos anos seguintes.

Recorde-se que a primeira posição oficial pública do Vaticano sobre Fátima aconteceu com Pio XII apenas a 31 de outubro de 1942.

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