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Em Faro há um espaço onde se discute a fé e a ciência

© Samuel Mendonça
© Samuel Mendonça

“Como é que Deus se consegue «meter» nos nossos neurónios, nas nossas células?”. Era uma das perguntas lançadas para reflexão numa das 16 sessões que estão a decorrer quinzenalmente na paróquia da Sé de Faro.

O espaço de debate, criado à imagem do “Átrio dos Gentios”, impulsionado pelo Papa Bento XVI, procura levar os participantes a pensar a fé à luz da ciência atual. A questão do “bosão de Higgs” ou “Partícula de Deus”, o criacionismo versus o evolucionismo, a consciência e a liberdade, a ética, a moralidade humana, o dualismo corpo e alma ou a ressurreição da carne são temas que são abordados nestes encontros que têm lugar desde outubro do ano passado no centro pastoral daquela paróquia de Faro.

A ideia partiu de um dos párocos da Sé de Faro, o cónego José Pedro Martins, que a propôs a Agostinho Morgado para que naquela comunidade paroquial se pudesse dar continuidade à estrutura criada pelo Vaticano, sem qualquer objetivo proselitista, para o diálogo entre crentes e não crentes.

“Hoje em dia há dados científicos que, se eu me puser a pensar um bocadinho neles, parecem entrar em conflito com escritos da Bíblia e mesmo com a nossa fé. Eu próprio preciso de iluminar isto de alguma maneira, fazer com que a fé ilumine algumas preocupações que tenho ou coisas que vou sabendo”, refere Agostinho Morgado, orientador dos encontros, doutorado em Filosofia e licenciado em Teologia.

Aquele docente universitário explica que a ideia inicial era o debate e o confronto de ideias, o que na prática acaba por não acontecer por falta de participantes descrentes com gosto pela investigação científica. “Se pudessem trazer alguns elementos mais científicos que eu não tenho e que, às vezes, há pessoas que vão mais a fundo (até por ser da sua área de formação), isso é que seria bom”, refere Agostinho Morgado. Lamentando não haver no grupo nenhum cientista ateu, aquele responsável explica que os participantes da iniciativa “são pessoas que vêm mais na expetativa de ouvir uma explicação ou um aprofundamento da Bíblia”.

As sessões, que decorrem até junho deste ano na primeira e terceira segundas-feiras de cada mês pelas 21h, estão a ser participadas por cerca de 20 pessoas oriundas da cidade de Faro, 10 das quais com regularidade. Alguns dos participantes fizeram o ano passado a preparação com Agostinho Morgado para receberem o sacramento do Crisma e quiseram continuar a aprofundar a sua fé. Outros são catequistas, outros pertencem movimentos eclesiais e outros são apenas interessados.

“A Fé”, “Crer em Deus”, “A Criação”, “O Ser Humano criado por Amor e para o Amor”, “A Revelação”, “A Sagrada Escritura”, “Os Mandamentos”, “A Pessoa Humana”, “Deus-Pai”, “Jesus Cristo”, “O Espírito Santo”, “A Igreja”, “Os Sacramentos”, “Novos Céus e Nova Terra”, e “Maria” são os temas a abordar ao longo de oito meses. “Isto eram quase os temas da catequese do ano passado. O que eu fiz foi acrescentar aqui alguns problemas”, considera Agostinho Morgado.

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