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O objetivo da ECDE (Em Caso De Emergência) International é estabelecer a ligação entre os seus clientes e as autoridades, disponibilizando informação que permita aos agentes policiais e de saúde socorrê-los mais rapidamente, explicou Jorge Pereira.

Assim, os clientes podem contactar diretamente a organização ou o operador do 112, que, por sua vez, poderia ligar à ECDE caso tivesse dificuldade em comunicar na língua da vítima ou em encontrar o local exato da sua casa.

Os dados dos membros, que são cerca de 300, estão agregados numa base que a ECDE quer disponibilizar gratuitamente às entidades públicas, mas, desde que a empresa iniciou atividade, há dois anos, ainda não obteve resposta aos pedidos de parceria.

A informação sobre os membros inclui o seu historial clínico – grupo sanguíneo, alergias ou doenças e medicação -, o que "poderia ajudar as autoridades de emergência médica a socorrer mais eficazmente" as vítimas, defendeu Jorge Pereira.

Contudo, fonte do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) referiu que o instituto “não estabelece parcerias com entidades privadas ou de foro comercial”, apenas com “entidades públicas ou que operem no âmbito da emergência médica”.

A mesma fonte esclareceu que aquele organismo “não tem qualquer interesse em ter disponível uma base de dados com informação clínica de doentes estrangeiros” e que informações como o nome ou a nacionalidade da vítima são “irrelevantes”.

Jorge Pereira lamenta que as autoridades não reconheçam as vantagens de uma possível parceria e lembra que a empresa foi alvo de uma declaração de interesse público e turístico, chegando a ser ponderado o seu enquadramento no programa ‘Algarve Seguro’. “Alguns serviços distritais demonstram interesse nos nossos serviços, mas depois temos um problema de burocracia com os ministérios, que receiam trabalhar com entidades privadas”, queixou-se.

Jorge Pereira fundou a ECDE com dois amigos, o suíço Peter, que já foi comandante da Proteção Civil e responsável de informática num banco suíço, e Mark, de nacionalidade holandesa e perito em telecomunicações.

Tudo começou quando Peter, cujos pais vivem no Algarve e não falam português, pensou na dificuldade que as autoridades teriam em chegar à casa, situada num local isolado, e em comunicar com eles, caso houvesse alguma emergência. A partir daí, lançou-se na construção de uma plataforma informática que agregasse informações várias, nomeadamente as coordenadas GPS para as habitações e um mapa pormenorizado de localização.

Mark ajudou na parte das telecomunicações e Jorge, que é agente de seguros, contribuiu com os seus conhecimentos de tradução, já que fala várias línguas. A organização tem sempre alguém de permanência em regime de piquete (ao todo são dez pessoas), mas nenhum, por enquanto, recebe salário, sendo que a anuidade que recebem pelos serviços que prestam (45 euros para portugueses e 69 euros para estrangeiros) é reinvestida em tecnologia e telecomunicações.

Por enquanto, a ECDE cobre apenas o território algarvio, mas em breve quer expandir-se gradualmente pelo país.

Liliana Lourencinho com Lusa

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