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Empresários algarvios reclamam falta de mão de obra em setores que vão sentir impacto da automatização

A destruição de 54 mil empregos no Algarve até 2030 devido à automatização é um cenário distante para empresários algarvios dos setores do turismo e da agricultura, que reclamam falta de mão de obra na atualidade.

À margem da apresentação de um estudo da CIP – Confederação Empresarial de Portugal, hoje realizada em Loulé, o administrador de uma cadeia hoteleira disse que o setor turístico na região algarvia precisa de 40 mil trabalhadores, enquanto um dirigente de uma cooperativa agrícola afirmou que na apanha da fruta não há portugueses disponíveis para trabalhar.

De acordo com a análise, a automatização vai causar a destruição de 54 mil postos de trabalho na zona sul do país, na próxima década, o que criará a necessidade de requalificar 27 mil trabalhadores.

No entanto, no mesmo período, entre 2020 e 2030, serão também criados 30 mil postos de trabalho na zona em análise.

A mudança líquida estimada de postos de trabalhos no setor de alojamento e restauração no Algarve será negativa e ronda os 8.000 postos de trabalhos perdidos até 2030.

Depois de ter ouvido estes números, Mário Azevedo Ferreira, da Nau Hotels & Resorts, reclamou que existe, na atualidade, “um problema laboral grave” no setor turístico algarvio face à falta de mão de obra.

“Se o estudo aponta para menos 8.000 postos de trabalho e o Algarve necessita, neste momento, de 40 mil trabalhadores, então precisamos de encontrar 32 mil pessoas para vir trabalhar para os nossos hotéis”, apontou o empresário, considerando que o impacto na perda de postos de trabalho “se vai sentir mais na restauração do que no alojamento”.

Reclamando a ausência de flexibilidade laboral imposta por uma legislação que impede que os trabalhadores com contrato possam fazer mais horas, o administrador hoteleiro questionou se o estudo teve em equação a realidade do trabalho temporário no setor.

“Não há mão de obra e não há flexibilidade laboral numa atividade sazonal. O que resultou no aparecimento e recurso massivo a estas empresas de trabalho temporário, apesar de a qualidade do serviço ser menor”, disse Mário Azevedo Ferreira.

Também na área de agricultura, serviços florestais, caça e pesca, a mudança líquida estimada de postos de trabalho no Algarve será negativa, com a perda de quase 4.000 postos de trabalho na próxima década.

José Oliveira, da CACIAL – Cooperativa Agrícola de Citricultores do Algarve, sustentou que há “défice de mão de obra” no setor: na apanha da fruta, a cooperativa trabalha com uma equipa liderada por espanhóis e composta por trabalhadores do Leste da Europa, enquanto na área da seleção e acomodação de fruta há cada vez menos funcionárias disponíveis.

“Não há pessoas, em Portugal e no Algarve, para fazer este tipo de trabalho. É um problema bastante sério neste setor”, acrescentou.

Segundo o estudo de âmbito nacional, a adoção da automação em Portugal pode levar à perda de 1,1 milhões de empregos na indústria e comércio até 2030, mas criar outros tantos na saúde, assistência social, ciência, profissões técnicas e construção.

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