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O ambiente vivido na escola era semelhante ao de um dia normal, com alunos concentrados à porta à espera de saber se os professores viriam, outros a vaguear pelos corredores e turmas a assistir serenamente às aulas, constatou a Lusa.

Indiferentes às razões da greve, alunos sem aulas como Tiago Gomes já só pensavam na primeira hora da manhã em ir “para casa dormir”, enquanto outros, como Mafalda, de 19 anos, juravam que iam ficar na escola à espera de saber se teriam ou não as próximas aulas.

Segundo outro aluno, de uma turma de um Curso de Formação e Educação (CEF), a maioria dos seus colegas optou mesmo por nem comparecer na escola, já que entre mais de vinte alunos apareceram “apenas quatro ou cinco”, disse.

Diferente foi o cenário na Escola Secundária João de Deus, também em Faro, que teve que encerrar devido à greve, com os professores a aguardar pela chegada dos funcionários da escola, que aderiram em massa à greve.

“Os professores apareceram mas não puderam dar aulas porque os funcionários fizeram todos greve”, disse à Lusa uma professora daquele estabelecimento de ensino, acrescentando que a escola tem mesmo o portão fechado.

Já na Escola Tomás Cabreira, embora a cantina, o bar e a reprografia estivessem encerrados, as auxiliares de ação educativa davam informações aos alunos, fazendo do dia de greve um normal dia de trabalho.

Segundo disse à Lusa uma das funcionárias da escola esta greve “não teve assim muita expressão”, pelo menos naquele estabelecimento de ensino, onde já houve anos em que apenas ela e outra funcionária foram trabalhar.

“No meu corredor só faltou o professor de uma sala, houve corredores em que faltaram dois ou três, mas não foram assim muitos”, conta Dina, uma das mais antigas funcionárias da escola, a trabalhar ali há 27 anos.

“Há dias normais em que também faltam estes professores, não estou a achar grande diferença”, disse, lembrando que já houve greves em que a adesão foi muito superior à registada hoje na escola.

Segundo a opinião de Dina, as pessoas deixaram de fazer greve porque “estão desmotivadas” e “já não acreditam” que o facto de aderirem à paralisação vá de facto mudar o estado atual das coisas.

“Eu sou uma delas e falo por mim, acho que já não vale a pena estar a fazer greve”, desabafa a auxiliar, dizendo que deixou de fazer greve há muitos anos apesar de há oito ter visto congelada pelo Estado a sua progressão na carreira.

“As razões da greve são válidas mas seriam ainda mais se fossem concretizadas”, diz, acrescentando que os governantes se fartam de fazer promessas, mas que no fim “fica tudo no cesto dos papéis”, conclui.

A Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública (CGTP), a Frente Sindical da Administração Pública (UGT) e o Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado marcaram esta greve contra o congelamento salarial, o agravamento das penalizações das reformas antecipadas, questões relacionadas com as carreiras e com o sistema de avaliação.

Os sindicatos suspenderam a paralisação na região autónoma da Madeira para facilitar os esforços que estão a ser feitos para que a vida na ilha volte à normalidade, após o temporal de 20 de fevereiro.

A última greve convocada pelas três estruturas sindicais realizou-se a 30 de novembro de 2007 contra a imposição de um aumento salarial de 2,1 por cento.

Lusa

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