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Esta foi uma das certezas deixadas pelo padre Joaquim Nunes, que apresentou uma reflexão sobre a relação entre o diaconado permanente e a Igreja local que marcou este encontro anual, conclusivo do ano pastoral, que se realizou este ano no Poço Barreto (Silves), e que integra também as famílias dos diáconos algarvios.

O sacerdote advertiu mesmo que considerar este ministério como solução para resolver problemas “pode comprometer o modo como se vê e deixa ver o diaconado” e que “é por causa da missão e do trabalho do reino que se restabelece o diaconado permanente”. O orador destacou ainda a “ligação genética” do ministério ao trabalho do reino. “Está aqui a marca ontológica do sacramento da Ordem do grau do diaconado”, afirmou.

O padre Joaquim Nunes começou por lembrar a ligação dos diáconos à pessoa do bispo, não por uma “questão de fulanização ou dependência” mas de “valorização do sinal e da eficácia da imposição das mãos”, o gesto realizado no momento da ordenação, e da “relação profunda à Igreja local”, a diocese. O orador sublinhou que o ministério traz consigo uma relação “muito especial”, “afetiva” e de “proximidade” com o bispo e com a Igreja local e que a comunhão com o prelado é algo “vital e imprescindível” para a “visibilidade da comunhão na Igreja local”, até porque “é da comunhão com o bispo que decorre a comunhão necessária com o presbitério”. “O ministério diaconal é ministério, não segundo a autoridade, mas segundo a comunhão”, complementou.

O sacerdote destacou ainda que os diáconos permanentes estão ligados de forma especial ao mundo, ao trabalho e à família, “dimensões nas quais a comunhão se torna visível”.

Na reflexão explicou que o diaconado visa o “serviço do povo de Deus”, mas que importa valorizar a “dimensão do ser” em detrimento da do “fazer” ou do “poder”. O padre Joaquim Nunes lembrou, portanto, que ser diácono “é ser servo, estar ao serviço” e que o seu ministério subdivide-se em três campos de ação: liturgia, palavra e caridade. “Deixou-se empobrecer a riqueza do ministério da liturgia, da palavra e da caridade para o transformar em ritos, ações ou trabalhos que tem a ver mais com o fazer do que com o ser”, lamentou.

Lembrando que o ministério da liturgia é “aquele, à volta do qual, gravita a ação dos diáconos”, referiu que o ministério da palavra é “ministério de anúncio missionário para fora” e que o ministério da caridade “aponta para a participação e colaboração próxima e ativa aos ofícios da caridade e à administração dos bens canalizados para a caridade”.

No seguimento da reflexão feita pelo padre Joaquim Nunes, também o bispo do Algarve acentuou a dimensão específica do diaconado: o serviço. “O ministério diaconal recorda os outros ministérios ordenados na Igreja que devemos privilegiar, de maneira particular, aquilo que somos, mais do que aquilo que fazemos. O diácono é uma referência e uma interpelação para todas as formas de ministério na Igreja em que devemos privilegiar o serviço”, destacou D. Manuel Quintas.

Estes encontros anuais dos diáconos com o bispo têm uma dimensão temática, de aprofundamento do significado do ministério e contemplam também um tempo de oração e um tempo de convívio e partilha. Nos primeiros dez anos de diaconado algarvio (desde o ano 2000) eram realizados mensalmente, mas agora passaram a ser feitos apenas no fim do ano como complemento aos encontros pontuais que se realizam ao longo do mesmo.

No encontro do último sábado, para além dos cinco diáconos a trabalhar na Diocese do Algarve e respetivas esposas, e dos padres Firmino Ferro, vigário geral da diocese algarvia, e Carlos de Aquino, pároco de Silves, participou ainda o Albino Martins e família, que se prepara para a ordenação diaconal.

Samuel Mendonça
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