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Encontro de Antigos Alunos do Seminário de Faro desafiou-os a “semear a fé”

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O Encontro de Antigos Alunos do Seminário de Faro, que se realizou no passado sábado naquela instituição, desafiou-os a “semear a fé na vida dos outros”.

Na eucaristia da iniciativa que voltou a ser promovida pela Comissão dos Antigos Alunos do Seminário de Faro, o reitor da instituição, que presidiu à celebração, lembrou aos antigos seminaristas que “a vocação de cada ser humano chamado à fé é a de semear o amor de Deus a partir do seu coração”. “Semear na vida do outro essa esperança e essa alegria que nos vem de Cristo e do encontro com Ele”, complementou o padre António de Freitas, lembrando aos antigos alunos “que não é pelo facto de não terem chegado ao ministério [ordenado]” que não são “chamados” a esta missão.

Constatando que a maioria dos cerca de 40 presentes fizeram parte da geração jovem dos anos 60 e 70 do século XX, sendo por isso “contemporâneos e filhos do Concílio Vaticano II”, o sacerdote lembrou o “desejo da mudança” vivido na altura na Igreja e de “revolução” na sociedade. “Era um desejo de mudança na Igreja como na sociedade portuguesa com um conjunto de coisas que era apelo a transformar, a não ficar na mesma, a não acolher calados as mesmas coisas de sempre. Um tempo de desejo de mudança, de algo novo e diferente, de uma ardente vontade de lutar contra as injustiças que havia muito nesse tempo. Esse fulgor não pode ter-se apagado das vossas vidas. Aquele desejo do próprio Concílio, de conversão da Igreja, não pode ter morrido nos anos 60”, afirmou, considerando que “isso depende de cada um”.

Neste sentido, o reitor do Seminário de São José lembrou que “a conversão começa no coração de cada um”. “Às vezes, uma das tentações que temos é achar que deve mudar aquele ou o outro, esta ou aquela instituição. A primeira «pessoa» que deve mudar é o meu coração e a primeira «instituição» é a minha mente”, afirmou, lembrando que esta conversão acontece pelo “encontro pessoal com Jesus”. “É do encontro comunitário com Ele, é da abertura de coração a Deus que nós, não só nos convertemos e mudamos, como podemos transformar-nos em cada tempo em protagonistas com Jesus da mudança e da conversão sempre necessária acontecer na nossa Igreja e na nossa sociedade”, complementou.

O padre António de Freitas lembrou que este “encontro com Jesus” combate as atitudes antagónicas do “medo de mudar, de ser uma voz diferente dentro da Igreja” ou de “ser um revolucionário desgarrado da Igreja, da comunidade”. “Por isso nesta manhã, ao celebrarmos eucaristia nesta casa onde tanto rezaram, conviveram, estudaram, brincaram, jogaram, o Senhor exorta a nunca deixarmos de lutar pelo bem, pela justiça, pela mudança e pela conversão”, acrescentou, prosseguindo: “Deus continua a chamar-vos, a querer precisar de cada um de vós, a dizer que a vossa presença na Igreja e na sociedade pode ser um belo instrumento se abrirmos o coração a esta mudança sempre necessária e a esta conversão sempre oportuna”.

Lembrando que a “primeira vocação” de todos os batizados é serem “discípulos de Jesus”, o sacerdote pediu “que cada um se sinta chamado”. “Deus continua a querer confiar, a precisar e a enviar cada uma das vossas vidas à sociedade para serem sinal deste Deus justo, bom, leal. Cristo conta convosco”, afirmou.

Pedindo que “continuem a ser o espelho da alegria, da formação, do encontro com Cristo, da cultura e da amizade que nestas casas se cultivou”, o reitor considerou “a formação eclesiástica dos seminários da época” como sendo “de excelência”. “Os seminários foram tempo de formação e amizade e de fazer muitos homens não só singrarem na vida, mas ajudarem o país que somos a singrar”, afirmou, lembrando que os presentes são “as últimas testemunhas dessa formação e dessa alavanca que os seminários foram para a cultura e para o progresso de regiões, de cidades, de vidas pessoais e de tantas gentes” porque as gerações seguintes já tiveram outra formação realizada em escolas públicas.

O encontro dos antigos seminaristas prosseguiu com uma visita a Tavira com passagem pela igreja de Santa Maria, castelo e centro da cidade. Após o almoço junto ao rio Gilão, regressaram ao Seminário para o lanche com partilha de produtos regionais trazidos por cada um.

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