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Foto © Samuel Mendonça
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O Centro de Espiritualidade da congregação dos Carmelitas Descalços, sedeado em Avessadas (Marco de Canaveses), e a comunidade algarvia das irmãs Carmelitas Descalças promoveram no passado fim-de-semana mais um encontro de espiritualidade, desta vez, sobre os santos da misericórdia.

A iniciativa, que teve lugar no Carmelo algarvio, no Patacão (concelho de Faro), contou com cerca de 50 participantes e voltou a ser orientada pelo padre Agostinho Leal, Carmelita Descalço, este ano sob o tema “O olhar de Deus é amar”.

O sacerdote começou por fazer uma referência à história do Ano Santo da Misericórdia que se está a viver até novembro, sobretudo desde o papa João XXIII até ao papa Francisco, lembrando que “todos eles escreveram sobre a importância e a necessidade da misericórdia”.

Foto © Samuel Mendonça
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O padre Agostinho Leal alertou também que “a misericórdia não tem um ano” porque é “de sempre”, explicando que “este ano é um convite a aprofundar este tema, a partir de Jesus, das suas ações, gestos, palavras e ensinamentos”.

No sábado de manhã, o orador falou de “Jesus Cristo, a transparência da misericórdia entranhável de Deus”. “Uma misericórdia entranhável quer dizer que vem das entranhas e é aí que nós nos compadecemos, é o berço da ternura”, explicou em declarações ao Folha do Domingo. “A humanidade é fruto das entranhas de Deus. Há que descobrir neste mundo, um pouco agreste e difícil, que a saída que temos para a humanidade é a misericórdia”, acrescentou.

O sacerdote considerou que “o culto, mais do que um rito ou ritual, deve ser expressão de uma vivência”. “Se eu tenho a imagem de um Deus que castiga, não me custa dar quatro sapatadas a um indivíduo ou aplicar-lhe a justiça sem mais. Mas se eu tenho uma imagem, uma experiência e uma vivência de um Deus que me ama e me perdoa, assim eu vou fazer também”, afirmou ao Folha do Domingo, considerando que o “grande desafio” de hoje consiste em “passar da religião do medo para a religião do amor e da misericórdia de Deus, do perdão e da reconciliação”.

Foto © Samuel Mendonça
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Para o padre Agostinho Leal, esta última “é muito mais exigente do que a outra”. “Só esta é que é libertadora porque só o amor é que nos liberta. Jesus libertou-nos porque nos amou e deu a sua vida por nós, para remissão dos nossos pecados”, sustentou.

No sábado à tarde, o orador falou então de alguns santos que foram testemunhas dessa misericórdia, advertindo, no entanto, que “os santos da misericórdia são todos”. Vicente de Paulo, Teresa da Calcutá ou Faustina Kowalska foram alguns dos exemplos apresentados, referindo-se ainda a alguns que, não sendo tão conhecidos, chamaram a atenção pelas suas obras, como o padre Damião, missionário belga que se dedicou aos doentes de lepra, ou que “tiveram uma vivência profunda do amor de Deus”, como Santa Teresinha do Menino Jesus.

No domingo de manhã falou concretamente sobre o tema da misericórdia em Portugal, tendo em conta a relevância do acontecimento de Fátima. O padre Agostinho Leal referiu-se a “Maria, Mãe de Misericórdia” a partir da mensagem de Fátima. “Como dizia a irmã Lúcia, as aparições foram uma graça para Deus revelar a sua graça e misericórdia”, afirmou no encontro que terminou com a celebração da eucaristia.

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