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No encontro promovido pela Diocese do Algarve, que juntou Centros Sociais Paroquiais, Misericórdias, Cáritas e outras instituições que trabalham na área social, a diretora do Centro Distrital de Faro da Segurança Social (CDFSS) disse que a pandemia “mostrou que os edificados das estruturas residenciais não estão no seu todo adaptados às situações desta natureza, que a generalidade dos recursos humanos não está preparada” e que “existe um caminho a percorrer na qualificação das respostas residenciais”.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

“Temos de repensar as respostas sociais e têm de ser as pessoas que estão à frente das instituições porque são vocês que sabem o que é que as instituições estão a passar”, afirmou Margarida Flores na iniciativa, realizada no passado dia 16 deste mês no Centro Pastoral e Social da Diocese do Algarve, que teve como objetivo refletir sobre o impacto da pandemia.

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Aquela responsável, a título de exemplo, defendeu a criação de quartos individuais. “O nosso quarto é aquilo que temos de mais íntimo. Eu posso gostar de me deitar às 18h30 e o outro à 1h”, justificou, alertando ser necessário que as instituições se preparem para o “novo idoso” que virá para o lar. “Dentro de algum tempo teremos pessoas casadas com pessoas do mesmo sexo. Teremos pessoas que só falam Língua Gestual Portuguesa. Estas pessoas vão para o lar de idosos e sentem-se isoladas porque ninguém fala Língua Gestual Portuguesa”, avisou, considerando que os utentes estão cada vez mais conscientes dos seus direitos.

Margarida Flores, que apresentou também as possibilidades de financiamento para as IPSS no quadro do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), explicou que este beneficiará projetos que impliquem reformar equipamentos de respostas sociais, a inclusão de pessoas com deficiência, comunidades desfavorecidas e o combate à pobreza.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

A diretora do CDFSS agradeceu às instituições, referindo que foram “parceiros relevantes” e “essenciais”. “As pessoas foram verdadeiramente extraordinárias. Nunca tão poucos fizeram tanto por tantos”, afirmou, referindo-se a tempos de “aprendizagem conjunta” e a uma “excelente capacidade de adaptação à nova realidade”.

Margarida Flores reconheceu o “cuidado que as instituições tiveram, principalmente aquelas que lutaram contra surtos, pelo equilíbrio que teve que haver entre a comunicação e o não alarmismo”. “Chegámos a ter 10 ou 15 surtos ao mesmo tempo e não apareceu na comunicação social, o que só mostra a grande resiliência das instituições de cuidar daqueles que estavam à sua guarda, mas também não alarmar os familiares”, afirmou, considerando que os surtos foram a “grande dor de cabeça”. “Tivemos 44 surtos. Vocês não viram 44 instituições na televisão”, contabilizou.

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“De repente toda a gente estava dentro das instituições a ditar regras – a Segurança Social, a Saúde, a Proteção Civil – e as instituições acolheram sempre a pensar no melhor para aqueles que estavam à sua volta. Prestaram uma colaboração irrepreensível em todo o processo atendendo ao contexto de pressão que se viveu. E tenho bem noção da pressão que exerci sobre muitos de vocês, nomeadamente para acolherem pessoas vindas do hospital”, recordou.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Margarida Flores realçou ainda que “as instituições foram extraordinárias” em acolher filhos de trabalhadores essenciais que não eram seus utentes e na resposta a pessoas que contactaram a Linha Nacional de Emergência Social, algumas “em risco máximo como as vítimas de violência doméstica” e outras “à guarda das instituições com identidade falsa porque estão protegidas”. “As instituições tiveram um cuidado extremo para que essas pessoas não ficassem expostas em tempo de pandemia”, elogiou, lembrando também as provenientes de equipamentos ilegais que lamentou continuarem a “proliferar pelo Algarve”. “Temos muita gente ainda em equipamentos ilegais, alguns com vontade de se legalizarem e outros nem por isso. É algo que temos de combater em conjunto”, defendeu.

A oradora defendeu igualmente os presidentes das instituições e diretores técnicos, “pessoas que deram o exemplo”, porque “foram vacinados e bem vacinados” na primeira hora. Por isso, disse ter sido “extremamente injusto” que aquelas pessoas “que estiveram presentes nas instituições todos os dias” terem sido “atacados na praça pública porque foram vacinados”. “Se assim não fosse, a desgraça seria maior porque se essas pessoas não dessem o exemplo ninguém queria ser vacinado porque toda a gente tinha medo”, sustentou.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

A terminar, Margarida Flores apelou ao poder associativo das instituições. “Se a legislação das contraordenações não é boa, cabe a vocês mudarem. Lutem para que mude essa legislação. Está nas vossas mãos. Vocês têm assento em órgãos nacionais em que podem mudar esta legislação”, exortou, garantindo que a luta da tutela contra o excesso de capacidade das instituições “é para proteger as direções”. “Se houver um incêndio, tiverem excesso de capacidade e morrer alguém, os seguros não pagam e as direções têm processos-crime”, alertou.

Por fim, anunciou que o PRR dedica a nível nacional um total de 417 milhões de euros para a Nova Geração de Equipamentos e Respostas Sociais, incluindo quatro dimensões: requalificação e alargamento da rede de respostas sociais, uma nova geração de serviço de apoio domiciliário, um projeto-piloto Radar Social para trabalho com grupos vulneráveis e a mobilidade verde social que visa a aquisição de viaturas elétricas. “Um dos objetivos do PRR é aumentar as creches. Vai haver financiamento para quem quiser reconverter as salas de pré-escolar em creche”, exemplificou.

No encontro, o bispo do Algarve, que presidiu à celebração da eucaristia em que se rezou pelos falecidos vítimas de Covd-19, lembrou que os idosos não podem ser considerados números e que “são caminho de encontro com Deus”. “Aqueles a quem servimos são caminho de encontro com Cristo, são meio de conversão”, afirmou D. Manuel Quintas.

Na iniciativa promovida através do Departamento Diocesano da Pastoral Social participaram 10 centros paroquiais, 9 misericórdias, 2 cáritas e 2 outras instituições: Cáritas Diocesana do Algarve, Cáritas Paroquial de Portimão, Centro Paroquial da Mexilhoeira Grande, Centro Paroquial de Cachopo, Centro Paroquial de Estoi, Centro Paroquial de Nossa Senhora do Amparo de Portimão, Centro Paroquial de Paderne, Centro Paroquial de Pêra, Centro Paroquial de Quarteira, Centro Paroquial de Santa Bárbara de Nexe, Centro Paroquial de Tavira, Centro Paroquial de Vaqueiros, Misericórdia da Mexilhoeira Grande, Misericórdia de Albufeira, Misericórdia de Alcantarilha, Misericórdia de Lagos, Misericórdia de Monchique, Misericórdia de Portimão, Misericórdia de S. Brás de Alportel, Misericórdia de Vila do Bispo, Misericórdia de Vila Real de Santo António, Missionárias da Caridade e a Obra de Nossa Senhora das Candeias.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo
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