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A greve, convocada para hoje pelo Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), abrange apenas os profissionais das três unidades hospitalares do Algarve (Faro, Lagos e Portimão) com contrato individual de trabalho, explicou à agência Lusa o sindicalista Nuno Manjua.

Segundo o dirigente sindical, estes enfermeiros, que são cerca de metade da totalidade dos que trabalham nos hospitais algarvios, estão a ser pagos abaixo da tabela salarial.

"Não se compreende como é que, com enfermeiros que trabalham lado a lado com deveres iguais, obrigações iguais e responsabilidades iguais, o hospital decida a uns pagar abaixo da tabela salarial", queixou-se Nuno Manjua.

O sindicalista classificou ainda de "totalmente icoerente" que a medida apenas se tenha aplicado a partir de janeiro deste ano, quando ao longo dos últimos anos todos os enfermeiros, independentemente do seu vínculo laboral, têm sido pagos pelo mesmo valor.

Nuno Manjua explicou que antes de os hospitais se terem transformado em Entidades Públicas Empresariais (EPE), todos os enfermeiros estavam equiparados aos funcionários públicos, sendo que agora são celebrados contratos individuais de trabalho.

Segundo o sindicalista, apesar de os hospitais alegarem que precisam de autorização do Ministério da Saúde para fazer as atualizações salariais, "nunca precisaram de o fazer", pelo que não considera o argumento válido.

No hospital de campanha montado junto ao Hospital de Faro, os enfermeiros estarão até ao início da tarde a fazer rastreios gratuitos à tensão arterial e à diabetes.

Junto ao hospital improvisado, vários profissionais aproveitam também para entregar folhetos à população nos quais explicam as razões do seu descontentamento.

No Centro Hospitalar do Barlavento Algarvio (que integra as unidades de Lagos e Portimão), os enfermeiros decidiram fazer uma fila à porta da unidade para entregar um requerimento em que pedem para passar de 40 para 35 horas semanais de trabalho.

À tarde, em Faro, os enfermeiros em greve vão realizar uma marcha até à Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve para entregar um abaixo-assinado, que será igualmente entregue nos hospitais e ao Ministério da tutela.

Às 11:30 a adesão à greve rondava, segundo o sindicalista, os 72 por cento, embora a contabilização ainda não estivesse fechada.

Lusa

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