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Engenheiro diz que nova ponte da Praia de Faro é um absurdo e podia custar metade

Projeto_ponte_praia_faro2A nova ponte da Praia de Faro é “um absurdo sob o ponto de vista de engenharia” e podia custar menos de metade do valor estimado, defendeu hoje um especialista em estruturas, que aponta vários erros ao projeto.

A ponte, que substituirá a atual, de 1957, tem um ‘design’ futurista e apenas uma faixa para a circulação automóvel, pormenores do projeto apresentados publicamente pela Câmara de Faro há quase dois anos e que têm merecido algumas críticas, expressas na consulta pública, no verão passado.

De acordo com Carlos Martins, engenheiro civil e docente na Universidade do Algarve, a ponte, orçada em 2,4 milhões de euros, pode ser feita por um milhão de euros, o que é “um desperdício de dinheiro”, sobretudo quando o que está a pagar é “o artístico”.

Projeto_ponte_praia_faro1A ponte terá uma faixa para automóveis e outra para peões e ciclistas, estando também previsto no projeto um parque de estacionamento exterior com 900 lugares e um passadiço em madeira que ligará o parque à ponte, o que faz o investimento total previsto ultrapassar os três milhões de euros.

Projeto_ponte_praia_faro3“Aquilo que se preparam para fazer lá é um absurdo sob o ponto de vista de engenharia e também sob o ponto de vista dos recursos”, defende o especialista, classificando o projeto como “um ato de engenharia falhado”.

Segundo o professor, as peças em forma de ondas que irão ladear a ponte “custam muito dinheiro”, pois “têm que ser feitas longe, transportadas e montadas”, apresentando ainda a desvantagem de as peças terem que ser aparafusadas, já que a ação do mar deteriora aqueles materiais.

Outro dos erros que aponta é o próprio processo construtivo, já que o projeto prevê a construção de dois aterros, com 90 metros de comprimento cada (a ponte tem 180 metros), sobres os quais será feita a ponte, em duas fases distintas.

O especialista refere ainda que a nova ponte não resolve o problema da navegabilidade naquela zona da Ria Formosa, causado pelo facto de as embarcações, mesmo as pequenas, não conseguirem passar por debaixo da ponte quando a maré está cheia.

Admitindo que o trânsito na Praia de Faro é caótico, Carlos Martins critica, porém, as restrições que estão previstas ao nível da entrada de automóveis na praia, acesso que no futuro poderá ficar vedado a não residentes, que poderão apenas estacionar por períodos determinados.

O professor diz que uma das soluções possíveis para resolver o problema da pressão automóvel seria instalar um sistema de contagem que poderia informar eletronicamente os condutores, antes da chegada à praia, dos lugares disponíveis, sistema usado, por exemplo, em centros comerciais.

“Na minha opinião, é um erro em cima de outro. Ou seja, condicionamento dos acessos, a ponte fica estrangulada, continua a ter os semáforos e depois, ainda por cima, é só para privilegiados e custa o dobro daquilo que podia custar”, concluiu.

Carlos Martins emitiu um parecer técnico sobre a ponte, pedido pela Câmara de Faro, em maio de 2012, documento em que sugeriu a suspensão do anteprojeto, mas que foi rejeitado pelo executivo da altura por alegadamente a autarquia não se rever naquelas conclusões.

O professor da Universidade do Algarve é o único especialista em estruturas pela Ordem dos Engenheiros na região.

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