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“Foi no Convívio Fraterno que senti, pela primeira vez, que Deus me pedia alguma coisa mais”

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Quando decidiu deixar o ensino secundário sem terminar o 12º ano, Tiago Veríssimo começou uma formação para ser cozinheiro e pouco tempo depois a trabalhar na cozinha de um restaurante de uma unidade hoteleira do Algarve, onde chegou a ser cozinheiro de segunda. Em 2008 quis fazer uma experiência no Seminário de Faro que durou pouco e dois anos depois, quando “já nem pensava” no assunto, voltou à instituição onde acabou por ser formado para ser ordenado padre, o que acontecerá no próximo dia 24 deste mês.

O ainda diácono, de 30 anos, depois de ordenado sacerdote será o terceiro padre oriundo de Aljezur, depois do monsenhor cónego Manuel Francisco Pardal (1896-1979), que foi vigário geral da diocese algarvia e diretor de Folha do Domingo, e do cónego Jorge de Sousa (1911–1998), que foi pároco da Conceição de Faro. Entrevista e fotos por Samuel Mendonça

Entraste no Seminário em 2010, mas já tinhas feito uma experiência em 2008…
Sim, foi tão boa que só durou cinco meses [risos].

Portanto, foi nessa altura que sentiste o primeiro impulso para entrar no Seminário ou foi muito antes?
De facto, foi nessa altura. Eu nunca pensei seriamente em ir para o Seminário, nem tinha ideia de ser padre. Só a partir dos 18 anos é que comecei a sentir que Deus me chamava para alguma coisa, pedia-me alguma coisa mais. Mas nem pensava que era para ser padre.
Depois foi o processo normal de ir à procura do que é que Deus me pedia que me levou, por meio das intervenções que Ele faz na nossa vida através de algumas pessoas, a ir para o Seminário.

E quem foram essas pessoas?
Numa primeira etapa foi o João Cabral.

Mas fez-te a proposta diretamente?
Não, convidou-me quando era mais pequenino, quando tinha 11 anos, a ir para o Pré-Seminário. Fiz um ano no Pré-Seminário e depois deixei. Mais tarde, mesmo antes de entrar no Seminário, em 2008, perguntou-me se eu não queria ir passar a Semana Santa na instituição. Então, quando estive lá na Semana Santa voltei a frequentar o Pré-Seminário e percebi que era por ali que Deus me pedia para seguir o caminho. De certo modo, ele foi a intervenção de Deus que me ia apontando o caminho. Perguntou-me se eu queria ir fazer a experiência no Seminário numa altura em que eu já me perguntava muito se realmente Deus queria que eu fosse para padre ou não.

Que idade tinhas?
Nessa altura devia ter 19 ou 20 anos.

Estavas a estudar?
Sim, sim.

Em que ano?
Estava a estudar cozinha.

Tinhas vocação para essa área?
Tinha, tinha.

E essa primeira experiência no Seminário foi assim tão rápida porquê?
Sempre me ensinaram que eu era uma pessoa livre e ainda hoje me sinto uma pessoa livre, mas na altura pensava que liberdade era poder fazer o que me apetecia. Pensava eu que era um bocado rebelde, mas, no fundo, hoje vejo que era só um bocado parvo.
Outro motivo era porque a minha mãe tinha morrido há dois anos e eu começava a perguntar-me se ir para o Seminário não seria uma fuga a alguma coisa que estivesse mal resolvida, alguma forma de preencher o vazio que havia.

Vazio por causa da morte da tua mãe?
Sim. Foi mais para perceber o motivo que me levava a estar no Seminário, se era realmente uma questão de vocação, se realmente Deus me chamava a isto ou não ou se era para fugir de alguma coisa ou para preencher o vazio que havia. Por isso é que decidi sair. Senti que não era por ali o caminho, nem achava que estava a contribuir para um bom ambiente no Seminário.

E depois porque é que resolveste voltar?
Entretanto fui trabalhar, mas pensava voltar quando tivesse 25 ou 26 anos, já com as ideias mais amadurecidas. Quando disse ao João Cabral que ia sair do Seminário, ele perguntou-me: «E a porta do Seminário está fechada?». Respondi-lhe: «Está encostada. Logo se vê». De facto, tinha a ideia de voltar ao Seminário já com outra maturidade, mas o tempo de Deus não é o nosso.
Depois fui trabalhar para Albufeira com estas questões. Quando rebentou o escândalo da pedofilia [na Igreja] voltei a perguntar o que é que Deus queria da minha vida. E perguntava-lhe na oração.
Em Albufeira comecei a gostar do que estava a fazer na cozinha e a projetar a sério a minha vida naquele trabalho. Disse então: «Olha Senhor, vê lá o que é que queres, dá-me um sinal». Quando já estava mesmo apegado àquilo e já nem pensava no Seminário nem em ir para padre, foi quando o padre Pedro [Manuel] – que é a segunda personagem que aparece sob a intervenção de Deus – me mandou uma mensagem em que dizia precisar de falar comigo. Fui falar com ele, ao que ele me pergunta: «Queres entrar no Seminário agora em setembro? Primeiro perguntei-lhe quem é que ia entrar. «Não te preocupes com quem vai entrar. Estou-te a perguntar é se tu queres entrar», respondeu ele. Disse-lhe então que entraria mediante uma condição. Como ainda não tinha acabado 12.º ano, a condição foi a de não voltar para o ensino secundário porque já não tinha paciência para aturar miúdos.

Não querias mesmo voltar a estudar?
Não. Já estava mesmo decidido a ir fazer alguma formação na área da cozinha para aprofundar os conhecimentos.

Trabalhavas num hotel ou num restaurante?
No restaurante de um hotel.

Como ajudante de cozinha?
Não, como cozinheiro. Na cozinha há o ajudante, o cozinheiro de terceira, o cozinheiro de segunda, o cozinheiro de primeira, o subchefe e o chefe. Eu era cozinheiro de segunda. Estava mais ou menos bem.

E ganhavas bem?
Ganhava mais ou menos.

Portanto, já tinhas a vida mais ou menos resolvida?
Resolvida e programada para os próximos 30 ou 40 anos.

Mas depois…
Depois Deus troca-nos as voltas e a gente troca os planos [risos]. Mesmo quando estava no Seminário, tive sempre um plano B porque fui sempre muito livre e muito sincero com a equipa formadora. Dizia-lhes sempre que se achassem que eu não teria vocação para padre para me dizerem. Depois, com as instituições [nos ministérios de leitor e acólito] e a própria ordenação diaconal, fui confirmando aquela que é a vocação de Deus. Sempre tive a consciência de que a vocação nem é dom meu, nem algo que me pertença. É algo que Deus me oferece e me dá e que eu, na minha liberdade, aceitei e aceito. Por isso é que sempre tive a liberdade de pensar que se acaso não fosse este o caminho, sairia. Porque acima de tudo está o bem da Igreja. Não é o meu bem pessoal, nem uma conquista pessoal, nem algo que eu conquisto pelas minhas capacidades, é algo a que Deus me chama para servir a Igreja. Há gente que vai para o Seminário a pensar que vai para padre porque é a sua vocação e porque é aquilo que quer fazer na vida e não é bem assim.

A tua relação com a Igreja teve início desde cedo? Frequentaste a catequese?
Sim, sim, desde pequenino. Mas não ia muito à missa. Só comecei a ir mais à missa quando fui acólito aos nove anos. Assumi o compromisso e passei a ir à missa todos os domingos.

E depois passaste pelo grupo de jovens?
Mais ou menos. Eu nunca fui muito de pertencer a grupos, nem na minha terra houve um grupo de jovens consistente. Havia aquele grupo que se juntava para as orações de Taizé…

Foste a Taizé?
Sim, umas quantas vezes.

Mas recebeste o crisma?
Sim, sim.

Portanto, frequentaste a catequese até ao crisma. E depois?
Depois passei a catequista.

Mas já estavas comprometido na paróquia como catequista?
Já, já. Ainda fiz catequese durante dois anos.

E como é que a tua família encarou essa tua decisão de ires para o Seminário?
É curioso que nessa altura, quando eu saí do Seminário e estive a trabalhar, o meu irmão dizia-me sempre: «Tu vais para padre. Eu sei que tu estás inquieto com isso, tu vais para padre». Já via mais do que eu. O meu pai foi-se convertendo à ideia. Da primeira vez que entrei no Seminário ele aceitou bem e estava tudo tranquilo. Da segunda já foi diferente porque ele não trabalhava, eu trabalhava e os meus irmãos estavam a estudar. Quando tomei a decisão ainda levei algum tempo para lhe dizer porque sabia, mais ou menos, a reação dele. Quando lhe disse que iria [para o Seminário] para saber se era mesmo isto porque não podia viver com a dúvida, ele disse-me: «Olha Tiago, tu tens um bom trabalho, tens futuro naquilo que fazes, ganhas dinheiro. Vê lá se é isso que queres».
Vejo que Deus vai transformando a vida daqueles que toca para o ministério. Se calhar muitos padres fazem esta análise. O meu pai estava numa depressão depois de um acidente de mota que sofreu e, quando eu começo a minha caminhada vocacional, ele começa também a sua recuperação, a integrar-se na paróquia e na vida da Igreja e hoje é um homem feliz. Tem lá a forma dele de acreditar em Deus, mas apoia a cem por cento. Acredita, respeita a decisão do filho e apoia-a acima de tudo.
Se me entrego a Deus não é para ganhar benefícios, entrego-me por amor. Mas Deus também retribui àqueles que se entregam por amor. Não diretamente a mim, mas àqueles que me são mais próximos: o meu pai, o meu irmão, a minha irmã. Vejo a forma como eles também foram crescendo, mesmo na questão da fé.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Mas na tua vida também notaste isso? Tiveste momentos em que sentiste claramente essa intervenção divina?
Sim. Assim mesmo de uma presença tocante de Deus, tive alguns.

Foram marcos importantes nesta caminhada?
Alguns foram até antes desta caminhada. Ajudaram no processo de crescimento e de compreensão daquilo que Deus me pedia. Um deles foi na altura em que a minha mãe morreu, quando eu fui para Taizé porque precisava de sair daqui para me encontrar comigo. Depois de fazer aquelas três perguntas mais existenciais – Quem sou eu? Porque é que existo? Para que é que sirvo? -, senti Deus de tal maneira presente na minha vida que ainda hoje não sei explicar.

Essa foi a primeira vez que foste a Taizé?
Não. Foi a terceira, mas a primeira que lá fiquei mais tempo.

Quanto tempo?
Quase dois meses.

Como voluntário?
Sim. Ainda pensei ficar lá como irmão de Taizé, mas Deus não queria que fosse por aí.

E que outros acontecimentos marcantes tiveste?
Algumas conversas que tive com algumas pessoas e também momentos de oração em que Deus parecia vir à minha presença, parecia mesmo estar ali ao meu lado. Também nos momentos mais difíceis que passei no Seminário e foram alguns. Hoje sei que, se chegar a padre, é mesmo porque Deus quis, porque houve momentos em que a minha vontade era vir-me embora e só não vim porque me coloquei nas mãos de Deus e Ele foi-me conduzindo.

E quando é que percebeste claramente que a tua vontade era mesmo seres ordenado?
Isso foi já depois de ter escrito a carta ao senhor bispo a pedir a ordenação diaconal, quando já estava a fazer o estágio.

Então não foi há muito tempo…
Pois. Conclui que é isto que Deus quer para a minha vida e que é isto que eu também quero para a minha vida. Foi naquele momento que percebi que a vocação estava madura o suficiente para assumir o passo. Percebi que era por aqui, que é esta a entrega que Deus quer que eu faça. Pode vir o que vier, o caminho é este.

Para além de Taizé, consegues identificar outras experiências que tenhas vivido que também te tenham marcado positivamente para te decidires seguir este caminho?
O Convívio Fraterno foi importante por me ter «aberto a cabeça» porque pensava que Deus estava nas paredes e afinal descobri que Deus está nas pessoas.

Fizeste o Convívio em que altura? Já estavas no Seminário?
Não. Fiz o Convívio nº 1000, em 2006. Foi no Convívio que senti, pela primeira vez, que Deus me pedia alguma coisa mais, mas nem sabia o que era. Foi, talvez…

… mais um empurrãozinho?
Sim. E, se calhar, foi a construção que evitou o «desmoronar da casa» toda quando tive dúvidas sérias de fé, quando a minha mãe morreu.

Quer dizer que a base estava…
…estava segura. O trabalho foi bem feito.

E o Convívio contribuiu para isso?
Contribuiu, contribuiu.

Mais alguma experiência marcante?
O voluntariado que fiz com as irmãs de Calcutá [Missionárias da Caridade].

Isso também foi marcante?
Sim. Percebi, pelo testemunho que as irmãs dão, que só precisamos estar disponíveis para acolher aquilo que Deus quer. Ajudou muito a ter confiança naquilo que é a providência divina. A gente, às vezes, desconfia muito da providência divina porque não sabe bem o que é, mas lá foi a grande experiência que me marcou.

Colaboraste com as Missionárias da Caridade durante vários anos, não foi?
Cinco anos.

E o que é que te levou a essa colaboração?
Estava a fazer catequese em Évora e propus ao grupo, que se preparava para receber o crisma, vir fazer uma experiência de voluntariado.

Mas o que é que tu fazias lá em concreto?
Catequese, teatro, jogos, atividades com crianças de um bairro social da cidade de Faro. Ajudou-me a perceber que, desde que nós tenhamos a disponibilidade para O acolher e para fazer aquilo que Ele nos pede, Deus passa mais pela simplicidade das coisas do que pela grandeza e pelo aparato do que possamos fazer.

Então isso também foi um bom ensinamento para quem vai ser padre e pároco?
Foi, foi. Ajudou-me a perceber muita coisa porque, às vezes, no Seminário parece que somos formados para uma Igreja com grandes aparatos, quando afinal Deus, na prática, transmite-se pela coisa mais simples que existe. Às vezes, usamos tanta teoria para explicar o que se explica através de um gesto.

E agora que estamos quase a chegar à hora da ordenação, perspetivando o futuro, qual o sentimento que tens? Apreensão, esperança, tranquilidade?
Eu, por natureza, sou uma pessoa tranquila. Há aquela apreensão de imaginar o que é que vai ser a minha vida depois de padre, se vou para alguma paróquia, se tenho capacidade para isto ou para aquilo, mas sempre confiante de que Deus é que guia. Eu só tenho que me ir deixando guiar.

E como é que projetas a tua maneira de exercer o ministério? Achas que serás mais vocacionado para alguma área específica?
Nisso sempre tive alguma dificuldade. Às vezes, olho para outros colegas e vejo neles qualidades e caraterísticas para determinados setores da pastoral. No entanto, quando olho para mim, para me tentar encaixar nalgum desses setores, tenho alguma dificuldade.

Hoje vivemos numa época de diminuição do número de vocações. Os padres em virtude desta realidade são menos e vivem mais sobrecarregados do que antigamente. Achas que hoje é mais difícil e mais exigente ser padre?
Não faço ideia porque não conheci outros tempos, mas se fosse fácil também não tinha piada nenhuma. Depende do ponto de vista a partir do qual olhamos para as dificuldades. Se olharmos como um desafio, é estimulante. Agora se eu olho para a dificuldade e me intimido com ela, não avanço. Acho que, apesar das dificuldades, é uma época boa para se ser padre.
Acho que não há menos padres, há é menos cristãos conscientes da sua vocação à santidade e a Igreja falha um bocado aí. Ser padre é apenas um caminho que Deus escolhe, como ser pai de família. São caminhos que Deus aponta às pessoas para se santificarem. São caminhos de santificação, não são a vocação. A vocação é à santidade.

Portanto, achas que a diminuição de vocações consagradas é por esse motivo?
Na minha perspetiva prende-se por aí, por haver cristãos que não são tão conscientes daquilo que é ser cristão. Uma pessoa quando tem consciência do que é ser cristão questiona-se sobre o que é que Deus quer da sua vida. E aqui os padres têm um papel importante, têm essa função de ajudar as pessoas a discernir o caminho.

Hoje parece que a sociedade oferece resistência a tudo o que é espiritual. Concordas com esta visão?
Há uma grande procura por espiritualidades orientais e muita gente que vai atrás disso, dos reikis, dos iogas e das meditações budistas. Eu pergunto é o que é que a Igreja oferece. A Igreja tem também uma espiritualidade profunda e bela para ser vivida, mas parece que tem medo de a propor ao mundo. É uma espiritualidade encarnada. Não é uma espiritualidade que fica só na meditação e na ascese. É algo que exige da pessoa uma transformação interior e, às vezes, parece que a Igreja tem medo de propor isso aos próprios cristãos. Grupos de oração não há muitos, nem grupos dedicados à Lectio Divina. Vejo mais as pessoas idosas juntarem-se para rezar o terço e não tanto os padres a proporem esta espiritualidade aos mais jovens. Vejo, por exemplo, que eles gostam de ir a Taizé por causa da oração.

Esperas contribuir para a proposta da Igreja que responda a essa procura de espiritualidade?
Espero ajudar [risos], até porque acho que o caminho da Igreja passa muito por aí, por aprofundar aquilo que é a espiritualidade e ensinar os cristãos a viverem a partir dela porque o cristão é aquele que vive a partir do Espírito Santo. O Espírito Santo exige que a gente mude a vida, transforma-nos. Seguir Cristo exige esta transformação, exige estar em intimidade com Ele e com Pai por meio do Espírito Santo e passa muito pelo caminho desta espiritualidade encarnada e não de um espiritualismo em que a gente anda quase a «flutuar». Passa por perceber que o meu caminho é pelo Espírito, mas um Espírito que me leva a transformar o mundo.

Por falar em cultivar a espiritualidade, um dos aspetos para o qual muitos sacerdotes referem ter dificuldade em encontrar tempo é para a oração pessoal. Como é que pensas encontrar tempo no teu dia-a-dia para esta dimensão?
Desde pequenino fui ensinado a rezar antes de me deitar e ainda hoje faço isso. Essa questão depende também daquilo que o padre considera ser oração pessoal. Rezar a Liturgia das Horas, estar diante do Santíssimo [Sacramento], ler a palavra de Deus e meditar são formas de oração. Eu vejo a oração, não como algo que segue normas, mas em estar sempre disponível para uma conversa interior com Deus. E isso tanto pode acontecer falando com uma pessoa, como falando comigo mesmo, como rezando a palavra de Deus ou a Liturgia das Horas ou diante do Santíssimo [Sacramento]. Todos os momentos são oportunos para rezar. Até preparar uma homilia ou visitar um doente pode ser um momento de oração pessoal. Esta é a minha forma de viver a oração pessoal, de modo a que toda a minha vida seja uma oração contínua a Deus. Os padres que não têm tempo para oração pessoal têm de perceber o que é que para eles a oração pessoal.

Há quanto tempo estás em Loulé em estágio?
Desde setembro.

Essa experiência tem sido importante para te preparar?
Tem sido a melhor experiência. No Seminário foram seis anos de teoria e agora é o ano da prática. Tem sido importante para perceber o que é o povo de Deus, a sua realidade, de que é que precisa, o que é a Igreja. Tem sido uma experiência gratificante nesse sentido.

Que mensagem gostavas de deixar a quem possa, porventura, estar a interrogar-se se a sua vocação não passará também pelo sacerdócio?
Que arrisque porque não perde nada e que não tenha medo porque, às vezes, há muita gente que não dá o passo por ter medo da reação dos pais. Quando Deus chama e a gente arrisca, Deus também vai transformando o coração dos pais que são um pouco mais quadrados e vai ajudando-os a compreender que é por ali o caminho do filho.

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