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Em tempo de crise a tendência é para optar por destinos mais próximos e este verão foram justamente os espanhóis e os portugueses que ajudaram a “salvar” o turismo algarvio, engrossando as taxas de ocupação. As praias, a gastronomia e o comércio são fatores de atração para os vizinhos espanhóis, cujas dormidas durante o mês de agosto em hotéis algarvios aumentaram 28 por cento face ao ano passado.

O tempo médio de estadia é, contudo, relativamente curto e, apesar do aumento em número de dormidas, o mercado britânico continua a ser o que mais contribui para o volume total, explica Elidérico Viegas,líder da AHETA, a maior associação hoteleira da região.

Apesar de uma quebra de cerca de 30 por cento do mercado britânico nos últimos dois anos, a verdade é que os turistas oriundos do Reino Unido continuam a ser os que mais contribuem para o número total de dormidas no Algarve. “Há cada vez mais espanhóis – sobretudo da Galiza ou Astúrias – a escolher o Algarve em vez do Sul de Espanha, mas os britânicos continuam a ser o nosso principal mercado emissor”, afirma Elidérico Viegas.

O presidente do Turismo do Algarve, Nuno Aires, também confirma o crescimento do mercado espanhol, embora adiante estar já a notar-se uma inversão na diminuição da procura por parte dos britânicos. O potencial hispânico tem levado autarquias como a de Albufeira a apostar fortemente na promoção junto do mercado espanhol, que pode vir a ser estratégico e ajudar a esbater a diminuição dos turistas das ilhas britânicas.

Nuno Aires avisa, no entanto, que a introdução de portagens na Via Infante pode ser um fator negativo para a competitividade do Algarve, que já tem que concorrer com destinos mais baratos como o Egito, a Tunísia ou a Turquia. Segundo o empresário, também se notou um acréscimo de turistas vindos do Benelux (Bélgica, Holanda e Luxemburgo) e uma mudança no perfil do turista provocada pelo aumento dos voos “low cost” para a região.

“Tradicionalmente havia mais famílias a viajar para o Algarve, mas agora também já se vê muitos casais jovens a voar para Faro devido ao fenómeno ‘low cost’”, sublinha Nuno Aires.

Lusa

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