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Tanto D. Manuel Iñiguez Ruíz de Clavijo, da Comisión Episcopal del Patrimonio Cultural da Conferencia Episcopal Española, como María García Hernández, da Universidad Complutense de Madrid, reconheceram esta manhã que estes instrumentos “foram muito positivos” porque permitiram recuperar muitas catedrais espanholas. “A sua elaboração gera atualmente um conhecimento dos problemas e carências das catedrais”, testemunhou María García Hernández, que se referiu ao tema “Turismo y Conjuntos Catedralicios: la experiencia española”.

Já D. Manuel de Clavijo, que abordou a temática “Patrimonio edificado de la Iglesia: un equilibrio entre religioso, cultural y turístico”, reconheceu que este plano “permitiu salvar algumas catedrais da ruína”.

O prelado evidenciou ainda a necessidade de se promover uma programação cultural para as catedrais, defendendo mesmo a criação de uma Comissão de Cultura. “Temos de pensar as nossas catedrais como lugar de cultura”, exortou, aludindo à necessidade de “inculturar a fé” e advertindo que “uma fé que não inculturada, desaparece”.

Neste sentido defendeu ainda a necessidade de disponibilizar bibliotecas e arquivos “ao serviço da investigação” e a urgência da preparação e formação dos guias de arte religiosa. “Há que acompanhar o turista para que este não venha dar um passeio”, alertou.

Lembrando que a catedral é uma “casa aberta, acolhedora a crentes e não crentes, que testemunha a vida da cidade”, propôs a implementação de um «Pátio dos Gentios» (nova estrutura criada pelo Vaticano para diálogo com os não crentes), salientando que as catedrais são um “tesouro vivo”, “destinado ao culto divino e também ao progresso cultural do homem que a Igreja quer salvar”.

A terminar defendeu uma “reflexão profunda e séria” da missão das catedrais, que considerou de três tipos – de peregrinação, de sede paroquial e catedral simples – e a implementação de um “culto digno”.

María García Hernández testemunhou a grande procura turística das catedrais espanholas sublinhando que estas têm um grande conjunto de serviços associados.

Referindo-se ao crescimento do turismo religioso em Espanha, a oradora demonstrou a evolução positiva desde meados dos anos 90, embora com algum decréscimo de visitantes no interior do país.

Abordando a preparação das visitas, apontou que as principais medidas passaram pela criação de espaços de receção, serviços de informação, sanitários, disponibilização de sistemas áudio de informação (audioguias), organização de visitas, edição de material de apoio, criação de visitas especiais, entre outras iniciativas.

Igualmente importantes foram as medidas para organização interior dos fluxos de visitantes, nomeadamente para a compatibilização com o culto litúrgico. Relacionado com o melhoramento do funcionamento e o conhecimento dos visitantes que procuram as catedrais, aludiu a um estudo realizado sobre a realidade das visitas nas catedrais espanholas que incluiu a perceção das necessidades dos visitantes.

Samuel Mendonça

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