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Foto © Samuel Mendonça
Foto © Samuel Mendonça

A Estrada Nacional (EN) 125 está a tornar-se “progressivamente numa rua”, mas não tem tido as transformações necessárias para se tornar compatível com o ambiente urbano, criando riscos para peões e ciclistas, segundo um especialista em transportes.

“Há medidas que se podem tomar e que não precisam de ser à custa de muito dinheiro”, disse ontem Vasco Colaço à Lusa, sublinhando que não é necessário criar de raiz faixas exclusivas para peões e ciclistas para promover uma maior segurança, o que pode ser feito, por exemplo, através de marcações horizontais no pavimento, comuns “por toda a Europa”.

Segundo dados fornecidos à Lusa pela GNR, nos últimos seis meses morreram na EN125 dois utilizadores de bicicleta, ao quilómetro 111, entre Faro e Olhão.

Um deles morreu há duas semanas, tendo sido registados, entre abril do ano passado e abril deste ano, só naquela estrada, 20 acidentes de viação envolvendo velocípedes.

De acordo com Vasco Colaço, mestre em Transportes e consultar na área, o facto de a EN125 estar a deixar de ser uma estrada regional, como foi na sua génese, para se tornar numa via cada vez mais urbana, está a criar conflitos entre automobilistas, peões e ciclistas, uma vez que continua a circular-se, em termos de velocidade, de uma forma que “não é compatível” com um meio urbano.

“Andarem ciclistas com as velocidades e a largura da EN125 não é compatível e gera situações de risco”, sublinhou, defendendo que é necessário assumir que a estrada é uma via com características urbanas, como as ruas nas cidades, mas em que passam carros a 90 quilómetros por hora.

O especialista aponta como possíveis soluções para minimizar o risco de acidentes “a reafetação das marcações horizontais nas vias, com eventual redução da largura das vias destinadas ao tráfego motorizado”, para condicionar a velocidade de circulação e ganhar espaço para delinear no pavimento uma via paralela, para peões e ciclistas.

No seu entender, embora ao longo da EN125 não haja muita apetência para fazer cicloturismo, há a necessidade de as pessoas se deslocarem para o trabalho de bicicleta, pelo que é “potencialmente perigoso” manter a situação atual.

“Privilegiar a segurança das pessoas é uma opção política, mas tem que ser articulada a nível regional”, observou, acrescentando que se não existir um plano comum vai “continuar-se a gastar dinheiro sem grande eficácia, com medidas avulsas”.

A EN125, que atravessa o Algarve, liga Vila do Bispo a Vila Real de Santo António e tornou-se no final de 2011 uma alternativa gratuita à Via do Infante, autoestrada que também atravessa a região e passou então a ser paga.

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