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© Samuel Mendonça
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“Nós somos templo do Espírito Santo. Não podemos perder de vista que este corpo não nos pertence. Como estamos cuidando deste templo?”, foi esta a pergunta feita pelo casal Roque e Gisela Savioli que esteve subjacente aos três encontros realizados esta semana em Ferragudo, Portimão e Faro com cerca de 650 católicos de todo o Algarve.

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Na iniciativa, promovida pelo Renovamento Carismático Católico (RCC) do Algarve nos dias 18, 19 e 20, o cardiologista e a nutricionista, dois dos maiores especialistas do Brasil nas respetivas áreas oriundos para encontros em Portugal que incluíram também Lisboa e Porto, procuraram levar os católicos a rever a forma como têm tratado a sua saúde por forma a mudarem alguns maus hábitos.

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Em Faro, no salão da paróquia de São Luís, o cardiologista começou por considerar “falsa” a “ideia de que a medicina e a fé correm paralelas”. “Hoje existem inúmeros estudos científicos que mostram que as pessoas que têm fé têm menos doenças”, afirmou Roque Savioli, considerando que o corpo humano é a “obra-prima do Senhor”. “A coisa mais fantástica da criação é o corpo humano e nós usamo-lo. Temos de cuidar muito bem do nosso corpo porque um dia vamos devolver esse corpo. É um dom que recebemos de Deus”, advertiu, acrescentando que também “a medicina preventiva é um dom de Deus”. “Toda a ciência provém de Deus. O médico é instrumento de Deus”, sustentou, considerando que “dissociar a medicina da fé está absolutamente errado”.

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Citando a Bíblia, o cardiologista alertou que desprezar os médicos e os medicamentos é desrespeitar a vontade de Deus porque a “cura mais comum”, operada por Deus, acontece “através do médico e da medicina”. “Deus não interfere, frequentemente, na vida e na natureza de uma forma direta. Deus age através de alguma coisa”, complementou, considerando que “envelhecer é administrar perdas”. “Mas se temos Deus connosco conseguimos transcender esses problemas de uma forma mais tranquila”, completou.

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Considerando que pior do que ficar dependente de remédios é ficar dependente da doença, Roque Savioli lembrou que esta “não vem de Deus, mas da natureza” porque “Deus não aperta o gatilho a ninguém”. “Temos de cuidar do nosso corpo que é templo do Espírito Santo, fazer dieta, tomar remédios”, apelou. Lembrando as três dimensões do ser humano – física, psíquica e espiritual – acrescentou: “não adianta termos grandes medicinas, grandes medicamentos e grandes procedimentos se não temos o nosso lado espiritual sanado”.

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A nutricionista Gisela Savioli considerou que, atualmente, “a obesidade é mais do que uma epidemia”. “É uma pandemia”, alertou, sustentando que nos dias de hoje “crianças com idade inferior a cinco anos de idade tem uma expetativa de vida menor do que os pais”. “Isto é um contrassenso porque não é normal os pais enterrarem os filhos”, lamentou, considerando a obesidade a “mãe-hospedeira de todas as patologias” promotora de um “processo inflamatório sub-clínico” que vai “minando e envenenando o corpo aos poucos”. “Todas as doenças hoje têm um fundo inflamatório e a gordura envia para a corrente sanguínea substâncias pró-inflamatórias”, explicou.

“A gordura do nosso corpo é o maior stock de toxinas ambientais. Toda a poluição, os pesticidas dos alimentos, as medicações dos animais ficam alojados no tecido gorduroso, provocando ainda mais essa inflamação”, complementou, lamentando que hoje vivamos numa sociedade “obesogénica” em que “tudo convida à obesidade” e num “mundo cheio de toxinas, a começar pelas que temos nos produtos alimentícios que estão à venda no supermercado” aditivados de “corantes, conservantes e edulcorantes”. “Leia rótulos! Se tiver um E e mais três números, não compre! São os aditivos alimentares. Hoje temos artigos científicos extremamente sólidos que mostram que esses aditivos alimentares afetam o nosso cérebro e, principalmente, o cérebro das crianças”, alertou, advertindo que a genética conta apenas 20% na saúde, enquanto os restantes 80% são o resultado das escolhas pessoais.

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De entre os alimentos que indicou como “pró-inflamatórios”, desaconselhou liminarmente a ingestão do leite de vaca. “Somos os únicos mamíferos que continuam bebendo leite, e leite de outra espécie, depois de termos dentes. Deus não é perfeito, não fez o ser humano impecável? Por que é que Deus, na sua infinita sabedoria, nos faria com enzima digestiva para o leite da baleia, da vaca, da ovelha, da cabra?”, questionou. “Quando bebemos leite, bebemos algo com cálcio. Mas e que é feito dos 44 nutrientes para os 50 milhões de células que trocamos diariamente? Isso está na natureza que Deus fez”, acrescentou, salientando que “hoje as vacas dão 365 dias de leite por ano (quando, normalmente, deveriam dar apenas dois meses) porque são inseminadas artificialmente”. “Nós estamos bebendo leite de vaca grávida cheia de hormonas”, constatou, aconselhando a aceder ao site da Universidade de Harvard para aferir esta problemática e aludindo à importância do aleitamento materno.

Contudo, a nutricionista considerou o glúten, proteína que existe principalmente na farinha de trigo, como o “vilão do século XXI”. “A nossa farinha de trigo não é igual ao tempo da nossa avó.

Hoje o que deixa o pão bonito e grande é essa proteína e a indústria da panificação pediu que toda a agricultura desenvolvesse melhoramentos genéticos. Hoje temos um trigo que contém 20 vezes mais glúten do que antigamente”, explicou, garantindo que “esses alimentos causam várias doenças”.

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Gisela Savioli desaconselhou ainda a que se continue a acondicionar os alimentos em caixas de plástico e que se tome bebidas quentes em recipientes plásticos. “Voltem, como antigamente, a usar vidro porque o plástico tem uma substância chamada bisfenol A que imita uma hormona feminina, o estrogénio, que vai para os alimentos. Quando essas toxinas entram no nosso corpo passam informações de comando erradas às nossas células”, alertou.

Aquela especialista aludiu às vantagens da nutrição funcional em relação à clássica, lembrando que a primeira “procura ver o ser humano como um todo e um ser único” por causa da “individualidade bioquímica”. “O que é remédio para si, pode ser veneno para o seu amigo”, concretizou.

A propósito do livro do Génesis, considerou que através da criação Deus apresenta aos seres humanos a regra nutricional. “No terceiro dia Deus fez legumes, verduras e frutas; no quinto dia começaram as proteínas e a primeira foi peixe; depois as aves e, consequentemente, os ovos. E foi só no último dia que fez as restantes proteínas”, lembrou, considerando que esta seria a “ordem correta da alimentação”.

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Na segunda parte do encontro, o casal apresentou o testemunho da sua conversão católica. Roque Savioli contou a busca incessante que encetou pela espiritualidade em diversas seitas e correntes espíritas e satânicas, motivada por experiências que viveu no exercício da sua profissão. A sua conversão deu-se numa eucaristia ao ouvir a parábola dos talentos e no momento da consagração.

Gisela era dona de uma loja representante no Brasil da casa Christian Dior que chegou faturar cerca de um milhão de euros por mês, tendo sido distinguida como a empresário do ano no país. Filha de pai judeu e mãe católica não praticante, até aos 44 anos viveu como pagã. Converteu-se após um convite para participar num grupo de oração na casa de uma amiga.

Hoje em dia, o casal explicou que continua a alimentar diariamente a sua conversão através da leitura da Bíblia, da recitação do terço, da oração, da confissão e da celebração da eucaristia diária.

Ambos os membros do casal, ligados à Comunidade “Canção Nova” são autores de vários livros editados em diversos países, alguns com mais de 500 mil exemplares vendidos, e colaboradores em programas de televisão e rádio sobre saúde e articulistas em revistas da área.

Conferência de Roque Savioli 

Conferência de Gisela Savioli 

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