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Desde o arranque da iniciativa, em 2011, já foram recolhidas 538 amostras de amendoeiras, alfarrobeiras, figueiras, nespereiras, romãzeiras, macieiras Pêro de Monchique e árvores de citrinos, precisou António Marreiros.

O risco de extinção está associado à morte natural das plantas, ao abandono a que estão sujeitas, à destruição pelo fogo e ainda ao aparecimento de novas espécies comerciais mais produtivas e a diminuição do valor de mercado dos frutos de algumas delas.

“Todos estes fatores, entre outros, provocam uma erosão genética que não tem retorno, pois, uma vez um gene perdido, é um gene perdido para sempre”, sublinhou o especialista, acrescentando que outro dos fatores para o desaparecimento de algumas variedades é a idade avançada dos produtores.

Foi a ameaça de extinção de algumas variedades que esteve na base do projeto “Prospeção, recolha, conservação e caracterização de variedades tradicionais de fruteiras algarvias com interesse para a agricultura portuguesa”, desenvolvido pela direção regional.

As amostras obtidas permitiram que a equipa do projeto avançasse já no ano passado com o trabalho de multiplicação das mesmas que está a decorrer nos centros de experimentação daquele organismo.

É no Centro de Experimentação Hortofrutícola do Patacão, em Faro – que tem a maior coleção de espécies e variedades de citrinos do país, cerca de 214 -, que está a ser feita a multiplicação das amostras de citrinos, acrescentou António Marreiros.

Já o Centro de Experimentação Agrária de Tavira está a receber a fase de multiplicação das amostras de alfarrobeira, amendoeira e nespereira.

António Marreiros explicou ainda que as variedades de romãzeira e de figueira estão a ser enraizadas no viveiro da Direção Regional de Agricultura do Algarve, enquanto as restantes espécies estão a ser enxertadas (designação utilizada para a multiplicação de variedades) em viveiros especializados no Algarve.

Em declarações à Lusa, António Marreiros disse sentir que a iniciativa está a ser muito bem aceite pelos agricultores da região, que têm contactado a Direção Regional de Agricultura para falar de árvores que acreditam ter características particulares e que gostariam de ver preservadas.

“Talvez por verem em nós uma oportunidade de preservar aquilo que lhes permitiu a sobrevivência ao longo da vida e que, face ao contexto socioeconómico atual, não está a motivar os seus descendentes a fazê-lo”, comentou.

Este trabalho, que quase pode ser encarado como “uma Arca de Noé” de árvores de fruto, tem obrigado a várias ações de campo onde os técnicos daquele organismo contactam com os agricultores, que os encaminham até às árvores em causa para fazer recolha de material vegetal e preencher a ficha de localização e georreferenciação da planta.

Até ao momento, a maior dificuldade tem sido a obtenção de indicação de variedades de romãzeira e de nespereira, disse António Marreiros.

O projeto será apoiado por fundos comunitários até 2015, mas o coordenador do projeto considera que a pertinência e atualidade da iniciativa vão dar lugar a um trabalho contínuo.

Lusa

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