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aquacultureA estação de piscicultura de Olhão está a testar novas espécies de peixes para ampliar a capacidade de produção de pescado em regime de aquacultura, disse à agência Lusa o diretor da unidade.

Segundo Pedro Pousão-Ferreira, o sargo e a corvina, que o investigador acredita que pode tornar-se no “salmão” do Sul da Europa, são duas das espécies em estudo na “única estação de investigação” na área da piscicultura em Portugal, onde é realizado todo o processo de produção, exceto a comercialização, uma vez que o peixe é doado a instituições sociais.

“Trabalhamos as espécies tradicionais, que são o robalo e a dourada, porque há sempre trabalho a fazer, há sempre investigação a fazer, e depois testamos novas espécies para poder dar informação ao setor, se vale a pena fazê-las crescer ou não. Por exemplo, o caso do sargo, no qual o setor parece estar outra vez interessado”, afirmou.

Outra das espécies cuja produção está a ser testada em aquacultura é a corvina, peixe que, segundo aquele responsável, pode representar no sul da Europa “aquilo que o salmão representa no norte da Europa”, pelo facto de, tal como o salmão, poder ser processado em diversas formas, desde o lombo ao peixe fumado.

“Estamos convencidos de que a corvina pode vir a ser uma espécie muito interessante em aquacultura, pelo seu crescimento, que é mais rápido do que o da dourada”, afirmou, sublinhando que além de as corvinas poderem atingir os dois a três quilos, podem ser processadas, “a grande vantagem que tem, por exemplo, o salmão”,

Aquela estação, que pertence ao Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), está a funcionar desde 2001 e foi criada para fazer investigação em aquacultura, “mas já a uma escala semi-industrial ou piloto”, explicou o diretor, frisando que a unidade “pode produzir toneladas, como se fosse do setor, para poder ter a informação” sobre a alimentação ou crescimento.

A produção de sargo que o IPMA está a testar para ver se é rentável e se compensa chegar à comercialização está a ser feita em parceria com empresas privadas, como a Atlantikfish, situada no sapal da reserva natural de Castro Marim, ao lado do rio Guadiana.

André Cabrita explicou à Lusa que a empresa realizou um investimento de cerca de três milhões de euros para afundar os tanques de terra e permitir que funcionem com as marés, em vez de bombagens de água, reduzindo consumos de eletricidade, para produzir robalos e douradas, que têm como principais clientes a restauração e os mercados.

“O objetivo é recriar um ambiente semelhante ao que os peixes têm em ambiente selvagem, nos rios e nas rias, e assim têm um dia-a-dia idêntico ao estado selvagem”, afirmou, frisando que espécies como a dourada e robalo, mas também as ostras, são exportadas em “aproximadamente 20 por cento” do total produzido.

A Atlantikfish contou com comparticipação de fundos europeus para as obras e espera dentro de dois anos atingir uma produção de 300 toneladas por ano de dourada e robalo e aproximadamente 180 toneladas de ostra, numa produção mais amiga do ambiente.

Em outubro passado, a ministra Assunção Cristas anunciou, numa visita ao Algarve, a intenção de aumentar as concessões para a produção de peixe e marisco em aquacultura na região, estimando que as novas áreas de exploração pudessem estar disponíveis no início deste ano.

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