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© João Xavier
© João Xavier

A cor esverdeada e o odor a águas paradas da Ribeira das Lavadeiras, Faro, estão a causar discórdia entre a liderança camarária (PSD/CDS) e o PS: enquanto a primeira assegura que são águas pluviais, o segundo fala num esgoto.

Quem entrar ou sair da cidade de Faro pela Estrada Nacional 125, no troço que liga a capital do Algarve a Olhão, e parar junto à ribeira pode sentir o cheiro nauseabundo que prolifera naquela zona e ver um pequeno charco de cor verde escura, rodeado por três saídas de esgotos.

“A Ribeira das Lavadeiras seria o último sítio onde iríamos lavar a roupa hoje”, lamenta Luís Graça, vereador socialista na e líder da concelhia de Faro do PS, afirmando que existem esgotos a correr para aquela ribeira, que passa por baixo “da Estrada Nacional 125 e vai até à Ria Formosa”.

Segundo o socialista, trata-se de “esgotos danificados, eventualmente partidos”, que desaguam na ribeira ou de “ligações clandestinas a águas pluviais que depois vêm dar às linhas de água da ribeira”.

O responsável refere que no Chalé das Canas há uma situação do género.

“Há pelo menos um outro esgoto a correr para a Ria Formosa com esgotos domésticos e o senhor presidente da câmara, das duas, uma: ou não tem conhecimento daquilo que se passa ou então não está a dizer toda a verdade aos munícipes farenses”, critica.

O presidente da Câmara de Faro, Rogério Bacalhau, assegura que “não há esgotos a céu aberto no concelho de Faro” e esclarece que a Ribeira das Lavadeiras está a receber águas pluviais que vêm dos sistemas de rega existentes na Campina de Faro.

“Fruto da obra da Variante Norte, foi criado um espaço onde essa água está acumulada e em segundo lugar [há o] facto de o caudal pluvial ser muito pequeno e a descarga que temos naquela zona acumular-se ali”, explica, assegurando não ter indícios de que haja qualquer risco para a saúde pública.

Contudo, por precaução, a autarquia ordenou, na semana passada, uma recolha de água do sistema pluvial para análise no laboratório Aqualab, cujo resultado deverá estar disponível dentro de 15 dias.

“Estamos tranquilos relativamente a todo o nosso sistema de coletores, porque fizemos nos últimos anos o trabalho de casa. Neste momento não temos nenhuma boca de esgoto a deitar a céu aberto”, afirmou.

Em 2013, houve uma descarga de esgotos do Hospital de Faro para a canalização das águas pluviais que vão desaguar na Ribeira das Lavadeiras, mas Fernando Carminho, engenheiro na empresa municipal Fagar, afirma à Lusa que não houve ”nenhum novo colapso recente do Hospital de Faro”.

A concelhia socialista de Faro apelou esta semana à “intervenção imediata” do Ministério do Ambiente para notificar a câmara de maioria PSD/CDS a resolver a situação.

A Lusa contactou o Ministério do Ambiente sobre o assunto, mas não obteve, até agora, qualquer resposta.

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