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Estudo do padre Miguel Neto sobre “A Igreja na Sociedade em Rede” vai ser publicado

Padre Miguel Neto

A tese do curso de doutoramento do padre Miguel Neto, defendida em dezembro de 2015 sob o título “A Igreja na Sociedade em Rede – Perspetivas teológicas a partir do estudo de Manuel Castells”, vai ser publicada pela editora Lucerna, sendo na próxima semana apresentada em Lisboa nas Jornadas Nacionais de Comunicação Social.

A publicação, intitulada “Igreja e Encontro na Estrada Digital – Perspetivas teológicas a partir
do estudo de Manuel Castells” (investigador catalão, que dedica grande parte da sua análise às questões sociológicas associadas ao uso das novas tecnologias e ao surgimento da sociedade em rede), resulta do trabalho realizado no âmbito do doutoramento com especialidade em Teologia Prática e é prefaciada por Alfredo Teixeira, professor do Instituto de Estudos de Religião da Universidade Católica Portuguesa, que também orientou o estudo do sacerdote algarvio.

No prefácio, o professor universitário e antropólogo, destaca que a “obra do padre Miguel Neto resulta de um itinerário de investigação enraizado na sua própria existência”. “A partir das suas vivências e responsabilidades pastorais na Diocese do Algarve, deixou-se interrogar por os «sinais dos tempos» que se descobrem nas novas formas de sociabilidade e comunicação em rede. Consciente de que o «mundo» digital não pode ser reduzido ao papel de medium, avançou na demanda de uma compreensão desse mundo como ambiente, ou seja, habitat, onde novas experiências de relação se estão a construir”, escreve Alfredo Teixeira.

O próprio autor confirma que assim foi, explicando que o trabalho agora publicado “resulta de um esforço pessoal de análise” de um tema, que há muito o “alicia” e “faz refletir”, com o qual lida “quotidianamente” no seu trabalho no Gabinete de Informação da Diocese do Algarve: o “uso dos novos media”. “Essa circunstância promoveu a minha curiosidade e, simultaneamente, a minha necessidade de reflexão, que me levou, ao longo dos anos, a procurar ler, tomar parte nas iniciativas promovidas pela Igreja portuguesa neste campo e acompanhar a investigação feita na área, nomeadamente, aquela que envolve a Igreja Católica e a que se prende em particular com questões teológicas”, sustenta, acrescentando que “não é ainda fácil encontrar uma literatura teológica neste campo”.

O autor explica que “os objetivos deste trabalho são primeiramente uma caracterização da sociedade em rede a partir da teoria de Manuel Castells, para, posteriormente, partir para uma análise da transformação do olhar da Igreja Católica sobre a comunicação social e o que a envolve; e chegar, finalmente, a uma proposta de um conjunto de critérios teológicos que permitam pensar o testemunho da fé neste novo ambiente”.

Capa do livro

“Assim, este trabalho é constituído por três grandes partes: a primeira é uma análise da sociedade em rede tendo sempre como ponto de referência e apoio o pensamento de Manuel Castells; depois, na segunda parte, temos uma análise do pensamento da Igreja sobre a época digital, no período pós-Concílio Vaticano II; e, por fim, na terceira parte, perante estas novas perspetivas e esta nova realidade, procura-se a concretização de um ensaio sobre a exigência necessária de manter as mesmas autenticidade e vivência cristãs, mas procurando uma resposta teológica e eclesial às novas realidades vividas nesta sociedade em rede”, prossegue.

Alfredo Teixeira considera, por isso, que este estudo “é, de uma forma muito transparente, um trabalho de teologia prática, na medida em que parte de uma interrogação vivida eclesialmente para, depois de um itinerário de estudo, regressar à vida das comunidades crentes com propostas de significação e ação”.

O padre Miguel Neto explica ainda que o presente trabalho de 256 páginas, que levou “quatro longos anos” a ser redigido, procura “estudar os conceitos-chave desenvolvidos por Manuel Castells no que concerne à sua análise sobre a sociedade em rede”, “procurando encará-los numa perspetiva cristã e teológica” e busca ainda “um conhecimento e uma identificação das posições da Igreja Católica em relação aos novos media”. “Compreender, à luz do que se vive nas sociedades contemporâneas e no seio da Igreja Católica, as ideias de comunidade e de identidade e perceber de que modo os novos media podem contribuir para a sua formação é outro dos temas centrais da presente análise”, refere o autor, defendendo “a ideia de que deverá haver uma presença forte dos cristãos no ambiente digital” e que “o lugar dos crentes é ao lado de todos os seres humanos, vivendo com eles nos espaços onde eles vivem, sejam esses espaços físicos ou digitais”.

“A rede é um ambiente como os demais e, assim sendo, deverá haver nela um lugar central para o testemunho cristão”, acrescenta, apontando a “formação” como necessidade “decisiva” para a “melhoria da literacia digital” cristã. “Não há como negar: a rede está aqui; ela é parte do mundo e do real. E na rede estão os homens e as mulheres de hoje. Se a queremos um lugar melhor, mais próximo dos nossos ideais, então há que tomar parte nela, difundir novas mensagens, comunicar eficazmente, contribuir para que se possa construir um futuro melhor para todos os que nela se relacionam, legar aos homens a Boa Nova e, também na rede, fazê-los conhecer Jesus, caminho, verdade e vida”, conclui o autor.

A apresentação da obra pelo padre Américo Aguiar, diretor do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais, nas Jornadas Nacionais de Comunicação Social que terão lugar no Auditório da Renascença Multimédia, junto à nova sede da Conferência Episcopal Portuguesa, na Quinta do Bom Pastor, em Benfica, será feita no próximo dia 28 deste mês, pelas 19h.

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